São Paulo, 06 (AE) - Os candidatos aprovados no vestibular deste ano terão uma vantagem em relação aos calouros dos anos anteriores. Agora, os trotes violentos estão proibidos por lei. Sancionada pelo governador Mário Covas, a lei prevê punições para alunos que submeterem seus colegas a trotes que possam trazer risco à saúde ou à integridade física. As faculdades terão de adotar medidas para evitar trotes e poderão ser responsabilizadas caso algum dano aos alunos seja constatado.
Pela lei, o aluno que promover o trote também será submetido a punições. Além de poder ser responsabilizado civil e criminalmente, o estudante estará sujeito a penas que vão da advertência à expulsão. O diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, Geraldo Rolim, elogiou a nova lei. "Vemos que, às vezes, alguns alunos abusam e é preciso que todos se mobilizem para evitar que isso ocorra". Segundo ele, na Santa Casa os trotes são proibidos pelo regimento. Todos os anos, uma campanha é realizada na faculdade para mostrar que há outras formas de promover a integração com novos alunos. "Mesmo assim, há sempre um ou outro mais exaltado".
Rolim disse que, no ano passado, um boletim de ocorrência foi registrado contra um aluno que promoveu um trote violento. "Mas, hoje, isso é exceção, a maior parte dos estudantes respeita os novos colegas". Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), os trotes também já não são permitidos. "Fazemos há vários anos um trabalho de conscientização com alunos", diz a pró-reitora de graduação, Helena Bonciani. Para ela, a simples edição da lei contra trotes não é suficiente. "É preciso mudar a mentalidade dos alunos". Helena informou que alunos que vão cursar o 2.º ano realizam, desde 99, reuniões para discutir como recepcionarão os calouros.

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