‘‘Os brasileiros querem uma coisa só. O Estado de Direito já. Essa frase, que conclui a Carta aos Brasileiros, escrita por Goffredo da Silva Telles, sintetiza o espírito de uma história de quase 171 anos, a da Faculdade de Direito do Largo São Francisco - uma história que se tornou tema de um livro a ser lançado na terça-feira.
Nessa data, comemora-se a criação dos cursos jurídicos no Brasil, o que possibilitou o surgimento da Academia de Direito de São Paulo (atual Faculdade de Direito da USP, mais conhecida como São Francisco) e o Curso Jurídico de Olinda (PE), ambos de 1827.
‘‘Foi em 1977, no auge do regime militar (1964-1985). Li a carta no pátio interno da faculdade. Estava cheio de estudantes, professores, jornalistas’’ , conta Goffredo, ao rememorar o que considera a experiência mais emocionante dos 46 anos em que trabalhou como professor na instituição. ‘‘O grande ideal da faculdade se resume numa expressão: liberdade autêntica’’ , diz o advogado, que se tornou conhecido como um dos maiores especialistas em direito constitucional do Brasil. Um ideal também constatado pelas historiadoras que escreveram o livro ‘‘Arcadas: História da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (1827-1997)’’. ‘‘A São Francisco foi criada dentro de um espírito humanístico para formar quadros para dirigir o país que estava se constituindo após a Independência (1822)’’ , diz Ana Luiza Martins, uma das autoras da obra. Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco, Castro Alves, Oswald de Andrade, José de Alencar e Ulysses Guimarães são apenas algumas das personalidades que passaram pela São Francisco. Guardadas as diferenças de área de atuação e linha de pensamento, todos se sobressaíram pela defesa dos direitos humanos ou da livre expressão e por terem desempenhado um papel relevante na história brasileira dos séculos 19 e 20.
A primeira edição do livro será distribuída. A segunda edição deverá ser comercializada em livrarias. O livro foi editado pela Alternativa, com patrocínio da BM&F

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