Fachada de hotel é metralhada no Rio
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segunda-feira, 14 de abril de 2003
Agência Estado 
Rio - Mais um hotel foi metralhado por traficantes ontem no Rio. O tradicional Glória, na zona sul, que já hospedou diversas vezes o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi alvo de um grupo de criminosos armados de fuzis, que agiram de madrugada. Eles atiraram ainda contra um prédio residencial. Foi a quinta ação de terror do gênero este ano.
O ataque foi à 1h10. Os bandidos, que estavam em um Golf e um Vectra, acertaram quatro tiros na fachada do hotel Glória, na Rua do Russel, e mais um no edifício residencial que fica no número 388 da mesma rua, a 200 metros. Depois fugiram em direção ao centro da cidade. O Golf foi encontrado pela polícia perto de uma favela no Catete, bairro próximo ao hotel, com cápsulas em seu interior, mas ninguém foi preso.
A varanda do apartamento de Valdira Pereira Rodrigues ficou com a vidraça estilhaçada. Ela acredita que o alvo era outro hotel, o Golden Park, que fica ao lado do edifício. Valdira contou que estava dormindo e ficou com muito medo quando ouviu o barulho do tiro. ''Minha sala parece que está em obra de tanta poeira que caiu da parede. Sou refém dentro da minha própria casa. Agora não saio mais à noite para ir à sala e à varanda'', disse Valdira, de 65 anos, há 37 no prédio.
A vizinha Maria do Carmo Torraca, de 73, já decidiu: vai se mudar com o marido para o Mato Grosso, onde vive a filha. ''Desisti do Rio. Está terrível, não dá mais para viver aqui. Minha filha vê o que acontece pela TV e fica aterrorizada.''
Os hóspedes do Hotel Glória também ficaram assustados com a violência. O petroleiro Paulo Lucena, paulista de 26 anos, que mora ali há seis meses, quer se mudar para outro lugar. O hotel recebia Lula quando ele vinha ao Rio durante a campanha eleitoral e é o preferido dos ex-presidentes da República Itamar Franco (sem partido) e José Sarney (PMDB-AP), atual presidente do Senado. A direção não se pronunciou sobre o caso.
O primeiro ataque a hotéis no Rio foi na madrugada de 31 de março, quando traficantes lançaram bombas contra o Meridien, na Praia do Leme, zona sul, famoso pela cascata de fogos na noite do réveillon. No mesmo dia, à noite, outro alvo foi a estação do Corcovado. Os criminosos atiraram contra a sede da estrada de ferro e uma réplica do trenzinho. Um prédio vizinho também foi atingido e algumas vidraças dos apartamentos foram estilhaçadas.
No último dia 9, bandidos jogaram uma bomba no shopping Rio Sul. E, em fevereiro, ordenaram o fechamento do comércio e queima de ônibus por toda a Região Metropolitana.
Ontem de manhã, o policial militar Luiz Cláudio Dutra Guerra morreu durante uma tentativa de assalto na zona norte. Dois homens armados tentaram roubar o Palio do PM, que deu marcha à ré para fugir e acabou levando um tiro no peito.
O ministro da Defesa, José Viegas, afirmou ontem que é preciso ''unir esforços para deter a marcha da anarquia que os bandidos tentam impor à cidade''. Ele admitiu que vê com preocupação a situação do Rio de Janeiro, mas ressaltou que o problema é ''prioritariamente estadual e de caráter policial''. Disse, porém, que as Forças Armadas estão prontas para dar o apoio necessário. Viegas participou, pela manhã, do lançamento de um projeto em parceria com o Ministério dos Esportes, no Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes, da Marinha.


