Das chamadas drogas sintéticas, o ecstasy é a droga favorita das festas raves. Segundo informação do delegado-chefe da Polícia Federal, Sandro Roberto Viana dos Santos, os consumidores são jovens, de 16 a 40 anos, muitos universitários. ''Essas festas não têm lugar fixo para acontecer. São feitas em chácaras e mansões alugadas. Os organizadores vendem convites e muitas vezes o convite já traz como 'brinde' um comprimido de ecstasy'', diz o delegado.
Londrina é uma das rotas obrigatórias para os traficantes que entram no País através da fronteira com o Paraguai a caminho de São Paulo, o maior centro consumidor do Brasil. As apreensões são difíceis porque a droga é carregada em pequenas quantidades. Os comprimidos de ecstasy são pequenos e custam de R$ 30,00 a R$ 50,00 cada um, mais caro que a cocaína. Os ácidos são ainda mais difíceis de apreender. Os traficantes usam papéis como o mata borrão embebidos com LSD, vendidos em pequenos pedaços que os usuários colocam debaixo da língua. Outra técnica é mergulhar selos de carta no ácido e deixar secar. Fácil de transportar e vender. Se o ácido estiver em forma de pó ele pode ser escondido até dentro de um botão de roupa. Para provocar alucinações, basta 1 micrograma de LSD por quilo de peso.
Em compensação, de acordo com o delegado, é fácil identificar os consumidores: ''Eles tomam muita água, dançam a noite inteira e geralmente não utilizam bebidas alcóolicas''. A droga também altera o comportamento: ''Sob o efeito do ecstasy as pessoas se sentem mais fortes e poderosas. Perdem a noção do perigo e dos limites do próprio organismo'', alerta Santos.
A distribuição da droga em Londrina se faz por camadas sociais. O crack, um subproduto da cocaína, fica nas favelas por ser uma droga barata. ''Londrina já tem 80 favelas espalhadas pela cidade. O consumo do crack é grande, apesar da droga ser um veneno'', lamenta o delegado. ''Uma outra parcela da população fuma maconha, que é uma droga usada tanto por intelectuais como por presidiários. A cocaína é a droga do 'high society', por causa do preço''.
Drogas como o ecstasy e os ácidos (LSD) são vendidas principalmente entre universitários. ''Com oito universidades em Londrina dá para imaginar como anda esse consumo'', comenta o delegado.
Para o delegado, o grande perigo é a desinformação. ''A gente não pode mais fazer campanhas contra drogas e falar só de maconha e cocaína. As crianças e adolescentes precisam saber o que é ácido, o que é anfetamina, os males que eles causam. Essa droga sintética 'derrete' o cérebro das pessoas. Eu acho que ela é até mais perigosa do que as outras porque causa uma sensação muito boa e cria uma fantasia. As pessoas pensam que elas não viciam mas estão enganadas''.(P.F.)

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