A execução do juiz corregedor de Presidente Prudente (SP), Antônio José Machado Dias, em 14 de março, deixou explícita a precária segurança dispensada às autoridades judiciais em todo o País, que estão à mercê das represálias de marginais e facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo. O sistema penitenciário paranaense recebeu há cerca de dois anos líderes dessa facção que lançaram as bases no Estado para a criação do Primeiro Comando do Paraná (PCP) e suas autoridades também correm riscos com relação à segurança.
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR, advogado Dálio Zippin Filho, afirmou à Folha que cerca de 40% da população carcerária do Estado de 6.771 detentos mantém algum tipo de vínculo com organizações criminosas como o PCC e PCP. Mesmo com boa parte da liderança do PCC tendo retornado aos presídios paulistas, ele revelou que ficaram ''simpatizantes'' no sistema carcerário do Estado, que estão se fortalecendo.
''Essas células continuam ativas, os juízes correm cada vez mais riscos e não existe segurança efetiva'', apontou. Ele afirmou que o Paraná acabou se transformando numa espécie de escola para essas facções criminosas.
Para exemplificar, Zippin Filho disse que há pouco mais de um mês presos ligados ao PCP da Penitenciária Central do Estado (PCE) prometiam fazer uma ''mortandade'' na unidade e chegaram a violentar um detento acusado de estupro que tinha ligações com o PCC. O plano de rebelião foi descoberto a tempo e 28 detentos 14 do PCC e 14 do PCP foram transferidos para a Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP), onde permanecem isolados.
O juiz corregedor em Curitiba, Roberto Antônio Massaro, revelou ontem que ele e vários outros juízes receberam ameaças de morte por parte de membros de uma quadrilha há cerca de dois anos. Por sorte, o grupo foi identificado e preso. ''O Judiciário do Brasil está de luto com a execução de um de seu membros pelo crime organizado'', lamentou. Ele avaliou que ''é preciso tomar medidas mais drásticas com relação à segurança''. Ele garantiu que o Governo está tomando medidas, como o endurecimento do regime penal de presos ligados a facções criminosas.
A ''tranquilidade'' nos fóruns do Estado já foi quebrada em diversas ocasiões. Em maio do ano passado, a Polícia Militar investigou, e descartou, uma ameaça de sequestro de juízes e promotores do Fórum de Londrina que serviriam como moeda de troca para integrantes do PCC exigirem a libertação ou a transferência de seus comparsas.
No mesmo mês, o próprio Zippin Filho declarou, em entrevista à Folha, que havia recebido de uma alta fonte da Secretaria Estadual de Segurança Pública a informação de que ele, juízes da Vara de Execuções Penais (VEP) de várias cidades e deputados ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) comporiam uma lista de sequestráveis dessas facções.

mockup