Fábricas de armas terão de dar os nomes de compradores à CPI
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segunda-feira, 15 de novembro de 1999
Por Roberta Jansen 
Rio, 15 (AE) - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico irá pedir às empresas nacionais fabricantes de armas uma relação de compradores. De acordo com um levantamento do Instituto de Estudos da Religião (Iser), divulgado em agosto, 83,12% das armas apreendidas no Rio entre janeiro de 1994 e março de 1999 foram fabricadas no Brasil. O coordenador de Segurança do estado do Rio, Luiz Eduardo Soares, solicitou aos integrantes da CPI que pedissem o levantamento porque as autoridades do Rio não conseguiam obter uma resposta das empresas. "O coordenador esteve em Brasília comigo e me pediu que a CPI obtenha junto a órgãos federais e empresas uma relação de compradores", disse o deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), sub-relator da CPI.
Segundo informações apuradas pelos integrantes da CPI, as armas compradas no País seguiriam para o Paraguai e, de lá, voltariam ao Brasil, sendo usadas pelo tráfico. "É importante fazer esse rastreamento porque talvez essas armas não estejam indo para fora", disse Biscaia. "Essa triangulação pode ser apenas uma forma de lavar a arma."
Investigações da Divisão de Repressão a Entorpecentes (DRE) durante os últimos quatro meses mostraram que um lote de cartucho para fuzis AR-15 recolhido em diversos pontos das favelas Antares, Jacarezinho e Beira-Mar haviam sido compradas pelas Polícias Militar e Civil do Rio, pela Polícia Civil de São Paulo e pela Polícia Militar do Distrito Federal. A empresa fabricante é a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), de São Paulo. O secretário de Segurança do Rio, Josias Quintal, marcou para amanhã (16) uma reunião na qual será apresentado um relatório preliminar sobre o caso. Quintal pediu aos comandos das polícias Civil e Militar uma auditoria nas compras de munição.


