Fabricantes de tintas querem redução da alíquota de importação
São Paulo, 15 (AE) - Os fabricantes de tintas automotivas estão pedindo ao governo a redução da alíquota do Imposto de Importação da média de 17% para 5% como forma de compensar a desvalorização cambial. "Os 17% representavam uma barreira tarifária que não é mais necessária com a desvalorização da moeda", explicou o vice-presidente da Renner, Antônio Carlos de Oliveira.
Cerca de 60% das matérias-primas utilizadas pela indústria de tintas automotivas são importadas. A mudança cambial trouxe aumento de custos de 35%. O setor já começou a repassar a elevação de custos para a indústria de autopeças, que utiliza as tintas em componentes internos e externos do veículo, pára-choques e espelhos retrovisores. Mas para as montadoras, que absorvem 80% da produção do setor, a indústria de tintas mantém os preços de dezembro.
A diferença de tratamento foi denunciada pelo presidente do Sindipeças, Paulo Butori, hoje de manhã, durante o seminário voltado ao setor automotivo e as perspectivas para 1999, que está reunindo mais de 600 executivos do setor no hotel Transamérica, em São Paulo. Durante o debate, Butori disse que em razão de as montadoras terem maior poder vai restar ao setor de autopeças pedir aos fabricantes de carro que comprem a tinta a ser usada pelos fabricantes de componentes. "Vocês tiraram o oxigênio de quem não tem oxigênio; todos os grandes oligopólios fazem dessa forma", disse o presidente do Sindipeças, dirigindo-se ao vice-presidente da Renner.
Carlos de Oliveira confirmou que o setor repassou para fabricantes de componentes parte da elevação do dólar. Segundo ele, a indústria de tintas utiliza a cotação de R$ 1,60 nas vendas para os fabricantes de componentes. Mas com as montadoras o setor ainda está em processo de negociação. Ele disse ainda que desde o início do plano real os preços de tinta caíram 24%, contando a deflação pelo IGP.





