São Paulo, 11 (AE) - Os cinco maiores fabricantes de palmito do País, que representam 40% da produção, receosos com a retração nas vendas, decidiram dar o primeiro passo na tentativa de recuperar os negócios e garantir a qualidade do produto. O setor, que movimentou em 1998 US$ 330 milhões, produzindo 33 mil toneladas de palmito, criou uma associação e lança, em outubro, um selo de qualidade que será impresso no rótulo das empresas associadas.
"Temos obrigação de identificar o produto garantindo a qualidade", afirma o diretor da Associação Nacional dos Fabricantes de Palmito (Anfap) e da Agro Industrial Ita, Georges Schnyder.
Todos esses cuidados do setor em defesa do palmito têm uma explicação simples. O Brasil é o maior produtor, consumidor e exportador, mas, nos últimos três meses, o consumo sofreu a maior queda da história do setor, registrando um recuo de 40% sobre o mesmo período de 1998.
A produção prevista para este ano, de 28 mil toneladas, com faturamento estimado em US$ 323 milhões, será 10% menor que a de 1998. Segundo a Anfap, essa retração do mercado deveu-se à perda do poder de compra das classes alta e média - os maiores consumidores - e, principalmente, à degradação da imagem do produto.
As denúncias de três casos de botulismo ocorridas nos últimos três anos, ele explica, e a divulgação de casos de extração clandestina e predatória do palmito, ganharam corpo e contribuíram para diminuir o consumo. "Chegou a hora de separarmos o joio do trigo", ressaltou o diretor da Anfap.
O selo será lançado em outubro porque as empresas fundadoras da Anfap - Riomar, Agroindustrial Ita, Floresta, Gini e Hemmer -, exigiram uma auditoria externa encarregada de atestar a qualidade dos produtos. Essa autoria, prática comum nos países da Europa e nos Estados Unidos, comenta Schnyder, deverá ser feita anualmente, de acordo com os estatutos da Anfap.
Da mesma forma, todas as fábricas que vierem a se associar à entidade apenas serão admitidas mediante a apresentação de atestado de qualidade fornecido por auditoria externa especializada.
A origem dos problemas, explicou Schnyder, está no fato de inúmeras fábricas manipular o produto de forma inadequada e produzir a conserva sem o uso de qualquer tecnologia. Essa produção, acrescenta, é incentivada pelo varejo, que a adquire sem atentar para a origem e a qualidade do produto.
"As indústrias que plantam e colhem o palmito dentro de preceitos ambientais rígidos e o industrializam de forma controlada, segura e com equipamentos de alta tecnologia estão sendo prejudicadas", reclama.
Por conta disso, as empresas associadas à Anfap vêem com otimismo a regulamentação por parte do governo sobre a fabricação, distribuição e comercialização do palmito, proposta pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária e que deverá entrar em vigor dentro de três ou quatro meses.
"As regras propostas são rígidas e, se ocorrer a fiscalização adequada, certamente acabam com fabriquetas inibindo a extração predatória do palmito", explicou o diretor.
O Brasil produz 85% do consumo mundial de palmito. O restante é fabricado na Costa Rica, Paraguai, Bolívia, Equador e Peru. Os principais importadores mundiais são Argentina, França e Estados Unidos. Cerca de 90% da produção nacional ocorre na região do Baixo Amazonas, principalmente Pará.
Nessa região, os produtores mantêm unidades industriais e áreas regulares de plantio e manejo de palmeiras. Os 10% restantes são provenientes de Santa Catarina e Paraná. A produção de São Paulo é insignificante.O setor gera 8 mil empregos diretos e cerca de 25 mil indiretos, num total de 33 mil trabalhadores.

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