Fabricantes de motocicletas esperam bater recorde de produção
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quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Cleide Silva 
São Paulo, 11 (AE) - Os fabricantes de motocicletas devem produzir meio milhão de unidades neste ano, o maior volume já registrado na história do setor. As vendas ao mercado interno deverão manter-se próximas ao patamar do ano passado, que foi de 461 mil unidades. As exportações é que devem aumentar por causa dos preços mais competitivos no exterior após a desvalorização cambial.
Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas (Abraciclo), Roberto Iquejiri, a desvalorização do real frente ao dólar resultou em uma queda de 30% nos preços internacionais das motos brasileiras. Além disso, os fabricantes estão negociando contratos com novos mercados como áfrica do Sul, Austrália e Nova Zelândia.
"Esses países já solicitaram cotações de preços e estamos aguardando a concretização de encomendas", disse o diretor-comercial da Honda, Paulo Sussumu Yamakami. A empresa responde por 90% das exportações do setor. De janeiro a abril foram exportadas 10.531 motos, 44,1% a mais do que em igual período de 1998. O Mercosul é responsável por 60% das exportações de motos do Brasil.
Ao contrário do que está ocorrendo com o setor de automóveis - que vem registrando queda nos negócios principalmente com a Argentina - o segmento de duas rodas não deve ter impacto negativo por conta da crise econômica. "Como não há fábricas de motos na Argentina e os preços dos produtos brasileiros estão baixos, os pedidos devem aumentar", analisa Iquejiri. As empresas também exportam para a Europa (Portugal, França e Inglaterra) e Estados Unidos.
No ano passado foram produzidas 476.655 motos. As vendas no mercado interno nos cinco primeiros meses do ano somam 187.858 unidades, 7,9% a menos em relação ao mesmo período do ano passado. O setor aposta na recuperação da economia a partir do segundo semestre. Neste ano, os preços das motos subiram entre 6% a 10%, depois de quatro anos de tabelas congeladas.
"Tivemos de repassar aumento de impostos e de custos com fornecedores", explicou o presidente da Abraciclo, que tomou posse no mês passado em substituição a Masuo Murakami, que se aposentou. O setor emprega 5 mil pessoas e movimenta cerca de US$ 1,5 bilhão ao ano.


