Fabricantes de massas secas reajustam preços em até 12%
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quinta-feira, 21 de outubro de 1999
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 22 (AE) - A indústria de de massas secas já está promovendo reajustes de preços, no rastro da alta das cotações do dólar. A Socma Alimentos, líder no segmento, com participação de 17%, está com os preços 12% mais altos que no princípio do mês. "Quem não repassar parte dos custos quebra", adianta Dácio Pozzi, presidente da Socma, que produz as marcas Adria, Isabela e Basilar. Pelas contas de Aluízio Quintanilha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima), os custos vêm aumentando em alta velocidade, obrigando a indústria repassar uma parcela ao consumidor, apesar do mercado recessivo.
"Na última semana, o preço da farinha aumentou 18% e esse insumo representa 45% do custo final do produto", contabiliza. Segundo Quintanilha, 80% do trigo utilizado pelo setor é importado, principalmente da Argentina. "Com o dólar nessa altura é impossível segurar preços", diz.
Ele ressalta que além da matéria prima, outros itens também foram afetados diretamente pela desvalorização do real. As embalagens fabricadas a partir de derivados de petróleo e as de papelão ficaram 30% mais caras, o frete aumentou outros 30% e a mão de obra, 4,5%, considerando que o dissídio ocorreu em setembro.
"Quem não repassar custos terá dificuldade de sobrevivência", adianta Aladino Selmi, diretor da Selmi. No seu entender, a desvalorização da moeda trouxe uma outra consequência: encareceu novos investimentos num setor em que toda a tecnologia é importada.
"Este ano as indústrias estão investindo R$ 60 milhões mas, no próximo, a expectativa é de que tenham de desembolsar o dobro, só por conta da desvalorização cambial", reclama Selmi. O Pastifício Selmi produz as marcas Renata e Gallo, com a vice-liderança no mercado.
Os altos custos de modernização de equipamentos, acrescenta, resultaram num processo de concentração do setor. As indústrias, que somavam 400 na última década, foram reduzidas para 200. Deste total, 15 respondem por 65% da produção nacional.
Itaguacy C. Ibrahim, gerente trade de marketing da J. Macêdo Alimentos, fabricante das marcas Premiata e Brandini, adotou a mesma política dos concorrentes. "É uma questão de sobrevivência da indústria e o repasse é pequeno diante dos custos", afirma. Segundo ele, a nova tabela já circula com acréscimos entre 8% e 10%. Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), prefere economizar comentários. "As negociações nem começaram e não será fácil aceitar reajustes", afirma.
Produção - Se no repasse de custos os empresários comungam da mesma opinião, divergem quanto ao volume de produção estimado para o ano. Em janeiro, a Abima, projetava um aumento de 10% na produção física, reduzindo para 7% em meados do ano. Hoje Quintanilha não arrisca nada acima de 2%, sustentado principalmente pelas vendas de produtos especiais. A expectativa da entidade é de que a demanda pelos instantâneos tenha um aumento de 7% e, de grano duro, 8%.
Em um ano de forte desvalorização cambial, só o fato de não haver um decréscimo na produção já é considerado uma vitória
opina Quintanilha.
Ele lembra que o setor também foi afetado pela queda registrada no mercado institucional (de merenda escolar) que, até o momento, chega a aproximadamente 50%. Com isso, os volumes no total consolidado devem ter um recuo de 5%.
O faturamento, de acordo com as projeções, tende a ser 18% superior aos US$ 1,5 milhão obtidos em 1998, produzindo 920 mil toneladas. "Mesmo assim o macarrão continua sendo um produto básico custando cerca de R$ 1,00 um pacote de 500 gramas", frisa Quintanilha.
Pozzi, presidente da Socma, concorda. "Apesar da retração econômica, o segmento de macarrão continua crescendo no Brasil, desde 1995. Esse aumento substancial de consumo entre os brasileiros deve-se, em parte, ao baixo custo do produto", diz.
Diante deste cenário Ibrahim, da J. Macedo, acredita que o mercado deverá crescer 7% neste ano, acréscimo que será acompanhado pela empresa. Selmi, mais otimista, acredita num aumento em torno de 8% no volume produzido para o setor e Selmi.


