São Paulo, 23 (AE) - Fabricantes de massas secas já estão praticando novas tabelas de preços por conta da alta da matéria-prima, provocada pelo dólar. Algumas indústrias apresentaram reajustes entre 3% e 5% neste mês e já programam aumentos de até 7% para setembro. Outras decidiram por corte de despesas e racionalização de custos para evitar a queda nas negócios.
É o caso, por exemplo, da Fuller S/A, que ao invés de aumentar preços, demitiu cerca de 110 dos 1.050 funcinários desde o início da desvalorização cambial, e aumentou a produtividade. "A oferta é maior que a procura, impedindo o repasse", afirma Roberto Kunzel, diretor-presidente da Fuller S/A.
O Pastifício Selmi, líder no segmento e dono das marcas Galo e Renata, adotou a política de retirada gradativa dos descontos que vinham sendo concedidos ao varejo. "O percentual variava entre 3% e 4% e será reduzido lentamente", afirma Paulo Hermann, diretor de marketing. Ele lembra que somado à variação cambial, teve o aumento de preço dos frete e o dissídio do setor em 1º de setembro. "Não há outra saída senão aumentar os preços", justifica.
Apesar de ter como certo o recuo nas vendas, a Emegê Produtos Alimentícios, que fabrica massas secas e possui moinho de trigo, não vê outra alternativa senão um acréscimo de 5% na tabela, que começou a vigorar no princípio deste mês.
No primeiro trimestre de 1999 a empresa aumentou os preços 25% e viu os negócios despencarem 20% sobre o mesmo período do ano anterior. "Não podemos operar no vermelho", comenta Cláudio Zanão, diretor-geral. O repasse, explica, está sendo feito gradativamente. "Para o próximo mês, já trabalhamos com a estimativa de mais um aumento da ordem de 7%", projeta.
Omar Assaf, presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), diz que o varejo irá resistir às novas tabelas. "Quem determina se há ou não necessidade de reajuste hoje é o consumidor", afirma. A seu ver, o único setor que está com o preços aviltados é o de papel e celulose. "Começamos a negociação recentemente e ainda não sei o patamar que será acertado", conta.
Desempenho - O setor já refez suas contas para baixo. A projeção era crescer 10% neste ano sobre o anterior. O resultado do primeiro semestre desapontou o empresariado. "A mudança cambial causou turbulência ao segmento empatando com as vendas realizadas nos primeiros seis meses de 1998", afirma Aluísio Quintanilha, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Massas (Abima). Em 1988 foram fabricadas 1,1 milhão de toneladas de massas, gerando uma receita da ordem de R$ 1,5 bilhão.
Os empresários mineiros estão mais otimistas quanto aos índices. "Nossa expectativa é crescer 18% em comparação com o ano passado", prevê Enéas Chiarini, da Orlando Chiarini Indústria e Comércio, com unidade fabril em Pouso Alegre, Sul de Minas Gerais.
Outra empresa que espera aumentar o faturamento este ano é a Massas Periquito, de Governador Valadares, Minas Gerais. "Projetamos um crescimento de 12% sobre o ano anterior", afirma Cleudson Valentin de Oliveira. E acrescenta: a economia cresce no segundo semestre.
Supermercados - Na opinião de Assaf, as vendas nos supermercados paulistas deverão empatar com as do ano passado. "Os primeiros oito meses fecharão no mesmo nível sobre o mesmo período de 1998", afirma. Pelos seus cálculos, julho deverá ter um desempenho cerca de 4% superior sobre o mês anterior. "O mês teve cinco finais de semanas contra quatro em junho" justifica.

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