Fabricantes de cigarro no Brasil enfrentam denúncia de corrupção
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2001
Siomara Tauster<br>Agência Lusa - De Nova York 
A indústria do tabaco voltou a ser alvo de acusações de corrupção que envolvem agora vários países, entre eles o Brasil. Segundo documentos internos da indústria tornados públicos esta semana, as empresas tentaram corromper inclusive o ex-secretário-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Hiroshi Nakajima.
As cartas-denúncia foram escritas por Ron Tully em 1998. Tully agora está trabalhando para a Santa Fé Tobacco Co., mas nos anos 80 trabalhou para o Centro de Informação Internacional do Tabaco (Infotab), que nos anos 90 se transformou no Centro de Documentação do Tabaco (TDC).
Foi nessa época que Tully participou do esquema de corrupção que incluía jantares oferecidos em Genebra e Londres para altos funcionários dos Ministérios da Saúde de países como Malawi, Zimbábue e Brasil.
''No início de 1989 eu me envolvi com altos funcionários da Infotab e participei diretamente das estratégias de organização de fundos e distribuição de dinheiro para países onde o tabaco estava em crescimento'', afirma Tully na carta enviada em 17 de setembro de 1998, para Marion Funk, da empresa alemã Reemtsma.
''Na verdade, eu estava envolvido na pesquisa de alvos individuais em Malawi, Zimbábue e Brasil'', disse. E acrescentou: ''Eu tenho conhecimento de pagamentos feitos em favores e cash''.
Ainda nesta mesma carta, Tully diz que participou de um encontro, ''em outubro de 98, com o secretário-geral da Infotab e membros de duas firmas de advocacia que representavam duas empresas de tabaco, para discutir o encontro do secretário-geral da Infotab com o secretário-geral da OMS, na época, Hiroshi Nakajima''.
O objetivo desse encontro, segundo Tully, era ''propor a OMS conter o tom das campanhas contra o cigarro, se as empresas de tabaco voluntariamente limitassem as propagandas de cigarro para as crianças'', declarou. Para tanto, o secretário-geral da OMS receberia ''incentivos'' da indústria.
Os documentos chegaram ao conhecimento do deputado democrata pela Califórnia, Henry Waxman, um dos maiores opositores da indústria tabagista nos EUA. Ele mandou carta para o procurador-geral americano, John Ascroft, cobrando medidas contra acusações, que incluem, além de corrupção, evasão de divisas, violação das leis antitruste (da concorrência), atividades legais e antiéticas, e a destruição deliberada de mais de um milhão de documentos que poderiam comprometer as empresas de tabaco em casos de processo.
Ashcroft, que havia sugerido em junho um acordo entre o governo americano e a indústria, no processo que está movendo contra as companhias de tabaco, por atitude fraudulenta, teve que reconsiderar o caso e recomendar que as investigações continuem.


