São Paulo, 5 (AE) - Animados com o aumento das exportações verificado nos primeiros cinco meses deste ano, os fabricantes brasileiros de calçados esperam um maior número de visitantes da América Latina na 31ª Francal - Feira de Calçados, Assessórios e Artigos Esportivos - que começou hoje e vai até quinta-feira (8) no Pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo.
Segundo o vice-presidente da feira, Abdala Jamil Abdala, diversos representantes de países vizinhos manifestaram interesse no evento. A favor do fechamento de negócios com o Mercosul estão as estações climáticas em comum, o que padroniza as coleções.
A desvalorização cambial de janeiro favoreceu o setor. Desde o início do Plano Real, o setor vinha perdendo espaço no mercado externo. No ano passado, a exportação de calçados totalizou US$ 1,3 bilhão (131 milhões de pares), cerca de US$ 700 milhões a menos do que registrava em 1993.
De janeiro a maio deste ano, o Brasil já exportou US$ 518 milhões, ou 61,5 milhões de pares de calçados, um aumento de 19% no volume e 3% na receita em comparação com o mesmo período de 1998. Só a Argentina aumentou em 27% as importações de sapatos brasileiros e é hoje o terceiro maior comprador do País, com 5,6% do total. Os EUA são o primeiro, com 68,8%, seguidos pelo Reino Unido (7,8%).
Atualmente, apenas 20% da produção brasileira destina-se ao comércio externo e a expectativa da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) é aumentar as exportações em 15% este ano. Em 1998, a indústria brasileira de calçados faturou US$ 7 bilhões e produziu 521 milhões de pares.
O diretor executivo da entidade, Ivânio Batista, estima que o setor vai se expandir em torno de 10% em 1999, inclusive com o incremento do mercado interno, que a cada ano consome mais calçados.
Expositores - Apesar das expectativas positivas, o número de expositores da 31ª Francal caiu de 600 no ano passado para 500 este ano. A área ocupada também foi reduzida de 30 mil metros quadrados para 25 mil metros quadrados.
De acordo com os organizadores, a participação em feiras vem caindo em todos os setores, como consequência da crise econômica. Em função disso, foi criado o Pavilhão de Meias, onde os principais fabricantes de meias vão expor seus últimos lançamentos.
Será realizado também, simultaneamente, o 1º Salão de Bijuterias e Semi-jóias. A feira deve receber 35 mil visitantes nos quatro dias de funcionamento e é aberta apenas a profissionais do setor, entre 10 e 19 horas.

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