Fabricantes brasileiros querem regulamentação de preferência
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quarta-feira, 17 de março de 1999
Por Gustavo Paul 
Brasília, 18 (AE) - Os fabricantes brasileiros de equipamentos de telecomunicação querem que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) regulamente a cláusula do contrato de concessão das empresas de telefonia, que as obriga a consultar a indústria nacional nas suas tomadas de preço. Os diretores da Trópico S/A, que reúne a Promon e a Fundação Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), se reuniram hoje com diretores da Anatel para alertar sobre a possibilidade de haver discriminação das operadoras privatizadas em relação aos fornecedores nacionais.
Segundo o diretor comercial da Promon, Roberto Machado Caldeira, a empresa teve informações de que a Tele Norte Leste e a Telefônica não pretendem incluir empresas nacionais entre seus fornecedores de equipamentos. "Não queremos a garantia de que as operadoras vão comprar equipamentos nossos, mas queremos a garantia de poder competir com empresas multinacionais", disse Caldeira. As duas operadoras teriam optado por multinacionais instaladas no País como Alcatel, Nec, Siemens e Ericcson.
A tecnologia Trópico, de centrais de comutação telefônica, foi desenvolvida durante 20 anos pelo CPqD, que pertenceu até julho passado ao Sistema Telebrás. Hoje é o sistema mais utilizado pelas operadoras de telefonia. "É uma tecnologia que custou R$ 400 milhões de investimento e hoje atende 31% das centrais digitais de telefonia, com 5 milhões de linhas", explicou Caldeira. Segundo ele, os preços e condições de financiamento oferecidas pela indústria nacional são melhores que as das estrangeiras, e a qualidade e prazos são semelhantes.
Na próxima semana, os representantes da Trópico devem se reunir com os ministros das Comunicações, Pimenta da Veiga, e do Desenvolvimento, Celso Lafer. Pimenta comunicou esta semana à direção da Telefônica que não aceitará discriminação aos fornecedores brasileiros. A Anatel também decidiu iniciar ainda este mês a consulta pública para regulamentação da cláusula contratual que obriga as empresas a consultarem fornecedores nacionais. Segundo o vice-presidente da Agência, Luiz Francisco Perrone, a expectativa era que os fornecedores e concessionárias conseguissem fazer negociações satisfatórias, o que não ocorreu.


