Fabricante nega reação ao Prozac
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quinta-feira, 06 de janeiro de 2005
France Presse 
Washington- O laboratório farmacêutico americano Eli Lilly negou as acusações feitas pela publicação especializada British Medical Journal (BMJ), que divulgou documentos confidenciais da fabricante do Prozac que estabeleceriam associação entre o antidepressivo e atos violentos ou suicidas.
''O laboratório Lilly tem fornecido às autoridades de medicamentos do mundo inteiro resultados dos testes clínicos e de grupos de controle realizados depois da liberação do produto no mercado, inclusive em relação à fluoxetina'', afirma o grupo farmacêutico.
A fluoxetina é o princípio ativo do Prozac, um antidepressivo prescrito para dezenas de milhões de pessoas no mundo. ''A empresa avaliou que não há novas informações científicas sobre o assunto'', segundo o comunicado.
O antidepressivo é vendido no Brasil sob o nome original, mas outros laboratórios têm produtos com o mesmo princípio ativo no mercado nacional, como o Daforin e a Verotina, por exemplo.
O jornal noticiou que havia recebido os documentos internos da empresa, de uma fonte anônima, que foram enviados à agência americana de controle de alimentos e remédios (FDA, Food and Drugs Administration).
Os documentos sugerem que a empresa estava a par de efeitos preocupantes da fluoxetina desde os anos 80 e procurou minimizá-los. Estes papéis não foram integrados em 1994 ao processo movido contra o laboratório pelas vítimas do massacre de Kentuchy em 1989, no qual morreram oito e 12 ficaram feridos, cujo autor, Joseph Wesbecker, era usuário do Prozac e se matou.
O grupo Eli Lilly afirma que nunca ninguém apresentou estes documentos em qualquer processo envolvendo-a.
A imprensa, por sua vez, não parece preocupada com isso, mas com os dados em questão. ''Os documentos parecem sugerir uma ligação entre a medicação e as tentativas de suicídio ou de violência'', declarou Jeanne Lentzer, jornalista independente nova-iorquina, ao BMJ. ''Um deles, de 8 de novembro de 1988, discute modificações comportamentais e emocionais causadas pela medicação, acompanhada de testes clínicos'', destaca. ''Estas últimas manifestações foram registradas em 38% dos pacientes que usam Prozac, em comparação com os 19% que receberam placebos''


