São Paulo - A Nestlé, na contramão da pesquisa do Idec, destacou o papel dos cereais numa ''dieta balanceada e saudável''. Segundo a empresa, esse tipo de alimento contém pouca gordura saturada e total, alto conteúdo de carboidratos complexos e baixo teor de sódio. Além disso, citou a ausência de gorduras trans, a presença de vitaminas e minerais e menos calorias, gorduras e açúcar que outros alimentos do café da manhã.
A reportagem entrou em contato com as seis empresas citadas. Obteve resposta de quatro. O Carrefour explica que seu cereal tem poucas fibras porque a lei não exige uma quantidade mínima. A Kellogg's diz o mesmo sobre os altos níveis de açúcar.
A São Braz confirma que seu cereal analisado não é rico em fibras, mas diz que fabrica outros cereais que contêm aveia e, portanto, fibras.
A Nestlé afirma ter ''um portfólio de cereais bastante extenso e completo, contemplando os diferentes perfis de consumidores'' e que, apesar de os produtos analisados pelo Idec terem poucas fibras, produz outros cereais ricos nesse componente.
As empresas dizem que não discriminam a quantidade de açúcar porque isso não é pedido pela Anvisa, que só exige a quantidade de carboidratos em geral, não a separação em amido e açúcar.
A Superbom disse que os cereais com sua marca estão agora sob a responsabilidade da Kellogg's. A reportagem não localizou responsável pela Nutrifoods.
O café da manhã, como toda refeição, precisa conter alimentos que os nutricionistas chamam de ''construtores'' (como leite e iogurte), ''energéticos'' (pão) e ''reguladores'' (frutas). Os cereais fazem parte do grupo dos alimentos ''energéticos''. ''Os cereais não são necessariamente vilões'', esclarece a nutricionista Mariana Del Bosco. ''Podem ser consumidos, mas com moderação, como os lanches fast food.'' (A.E.)

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