São Paulo, 04 (AE) - O diretor-geral da Arjo Wiggins, maior fabricante de papel moeda do mundo, Michel Giordani, afirmou hoje que as cédulas de plástico não possuem os recursos de segurança das notas convencionais e não dificultam a falsificação de dinheiro. "O fio magnético ou metálico e a linha dágua do dinheiro de plástico são resultados de um processo de impressão e por isso podem ser reproduzidos", argumentou. Na Austrália, onde o meio circulante é composto integralmente de dinheiro de plástico, continuam ocorrendo falsificações, de acordo com Giordani. Segundo ele, no caso do papel moeda, os dispositivos são inseridos na produção do papel.
Ele acrescentou que as cédulas da empresa australiana Securency PTY Ltd., única fábricante mundial da tecnologia, foram testadas na Europa e nos Estados Unidos e não recomendadas pela Interpol, que investiga as condições de segurança no lançamento de novas notas. A emissão de euros, lembrou o empresário, será toda em papel. Ele afirmou também que o desgaste das cédulas é semelhante ao das notas convencionais. "O pedaço de plástico pode durar mais, mas a impressão tem o tempo de vida semelhante ao do papel".
Giordani argumentou ainda que a comparação de durabilidade foi feita com base nas notas de papel, consideradas de baixa qualidade, que circulavam na Austrália antes da adoção das cédulas plásticas. Segundo ele, as notas brasileiras duram em média de 15 a 20 meses. "Se as plásticas resistem por 28 meses, como anuncia o fabricante, a durabilidade é cerca de 30% maior e não quatro vezes mais."
A francesa Arjo Wiggins é parceira do grupo Votorantin na Indústria de Papel de Salto, localizada em Itu, interior paulista. A empresa detém o monopólio da fabricação de papel moeda no País, sendo a única fornecedora da Casa da Moeda. Os 250 milhões de peças que o Brasil vai importar da Austrália em comemoração aos 500 anos de descobrimento representam 30% da produção anual da empresa. "O Brasil vai comemorar seus 500 anos importando dinheiro e onerando ainda mais sua balança comercial", disse Giordani.

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