Fabricante de ônibus pede concordata
Botucatu, SP, 06 (AE) - Depois de 54 anos de funcionamento, a Companhia Americana Industrial de Ínibus (CAIO)
uma das maiores fabricantes de carrocerias de ônibus do País, pediu concordata. No mês passado a organização colocou em férias seus 1.300 funcionários e em seguida seus acionistas decidiram romper um acordo de aporte financeiro e administrativo com o Banco Bozano Simonsen, que vigorava há sete meses, recorrendo à concordata para enfrentar as dívidas acumuladas de R$ 60 milhões
e continuar trabalhando.
Segundo os acionistas, o Bozano Simonsen e a administradora por ele indicada não cumpriram suas metas e enfrentavam problemas de relacionamento com os acionistas, fornecedores e clientes da CAIO. A petição protocolocada no Fórum de Botucatu suspende temporariamente o pagamento das dívidas e, se a concordata for aceita, a empresa terá 24 meses paga pagá-las, com juros de 6% ao ano.
Reinício - Os acionistas Cláudio Regina e José Massa Neto definem o momento atual como um reinício do negócio. Já mantiveram entendimentos com a Mercedes Benz, que fornece parte dos chassis, e com clientes, para o reinício da produção. Também conversarão com o secretário José Aníbal, de Ciência e Tecnologia do Estado e com o ministro Celso Lafer, da Indústria e Comércio, em busca de medidas para o reaquecimento das vendas. Uma delas seria a volta do financiamento de 100% dos ônibus pelo Finame, que recentemente baixou sua participação para 60%. Outra frente é com investidores nacionais e estrangeiros e com clientes do exterior.
A crise da CAIO tem como base a retração de mercado e a redução do percentual de financiamento dos veículos acabados. As empresas de ônibus, na sua maioria, estão descapitalizadas e ainda enfrentam sistematicamente a redução do Índice de Passageiros por Quilômetro (IPK), causada pelo transporte clandestino realizado por perueiros e outros fatores recentes da economia urbana. O período de férias coletivas dos funcionários termina no próximo dia 12 e, segundo os diretores, a empresa não tem planos de demissão.





