Fábrica de cigarros fechará por pacote tributário
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quinta-feira, 06 de janeiro de 2000
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 06 (AE) - O pacote tributário em vigor desde o dia 1º de janeiro está fazendo sua primeira vítima empresarial: a Massalin Particulares, filial argentina da Phillip Morris e uma das principais do país.
A empresa anunciou que por causa de "El Impuestazo" ("O Impostaço"), terá de fechar uma fábrica na província de Corrientes, que emprega 300 pessoas.
Em um comunicado à imprensa, a Massalin culpou o governo, sustentando que a decisão de fechamento foi "uma consequência da recente lei de reforma tributária" que acabou causando "um aumento no preço de venda dos cigarros em 14%".
Fazendo uma comparação histórica, a Massalin afirmou que "este é o maior aumento da história, maior inclusive que o aumento de impostos de emergência de 1982 por causa da Guerra das Malvinas".
A Massalin exibiu seu poder, e horas depois do comunicado, Jorge Vives, diretor-executivo da empresa, reuniu-se na Casa Rosada, sede do governo, com o presidente Fernando De la Rúa. Ao sair dali, deu um tom light às declarações. "Estamos analisando o fechamento. É um processo que leva tempo...", disse.
A Massalin aumentou o preço de seus produtos em 12,5%. No entanto, sua concorrente, a Nobleza Picardo, declarou que não implementará aumentos. De forma geral, as empresas do setor reclamam que 73% dos preços dos cigarros é composto por impostos.
O ministro da Economia, José Luis Machinea, considerou que o fechamento da fábrica se deve ao menor consumo de cigarros e à falta de investimentos no setor há vários anos. Machinea defendeu o pacote tributário, argumentando que não havia outra saída.
O ministro colocou a culpa do lamentável estado das contas públicas argentinas no governo anterior. "É uma situação que herdamos."
Machinea também afirmou que o atual governo faz sua parte do esforço pela recuperação da economia, "fazendo um corte de gastos sem precedentes".
A Federação de Trabalhadores de Fumo disse que a decisão da Massalin era "apressada". A Federação também criticou o governo, "por não entender que o pacote ia provocar um impacto no nível de emprego".


