FAB resgata 85 brasileiros de garimpo
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quarta-feira, 26 de março de 1997
Das agências<br> de Belém 
O governo federal enviou de Manaus (AM), às 18 horas de ontem (horário de Brasília), um avião búfalo da Força Aérea Brasileira (FAB) para resgatar 85 garimpeiros brasileiros que há mais de um ano ocupam o garimpo Marronze, na Guiana Francesa, próximo à fronteira com o Suriname. No final da semana passada, dois brasileiros, José Adauto Pereira da Silva e Clóvis de Souza, foram agredidos a socos e pontapés por um grupo de negros da etnia Boni, ficando bastante machucados. O incidente provocou a intervenção do consulado brasileiro na Guiana.
A volta ao Brasil estava prevista para 21 horas de ontem na base aérea de Belém (PA), onde desembarcariam os primeiros 30 garimpeiros - um deles ferido -, acompanhados do cônsul do Brasil na Guiana Francesa, Norton Rapesta. Hoje o avião búfalo da FAB, que transporta também uma equipe médica da Aeronáutica, faz mais duas viagens para repatriar todo o grupo.
O cônsul Norton Rapesta disse que os brasileiros agredidos foram levados a um hospital de Caiena, capital da Guiana. O estado de saúde de José Adauto, de 30 anos, é o que inspira maiores cuidados. Ele sofreu escoriações no rosto, cabeça, tórax e pernas. Ele chegou a ser amarrado durante o espancamento, disse Rapesta. O cônsul informou que o clima na região continua bastante tenso. Somente com a retirada dos brasileiros será possível evitar novos conflitos, completou.
Os Boni, descendentes de escravos africanos, consideram os brasileiros invasores do garimpo. Eles vivem há décadas na região, têm cultura e modo de vida próprios, e se dizem integrantes de um país indenpendente, recusando a tutela do governo francês. Rapesta informou que o Ministério das Relações Exteriores solicitou a ajuda da FAB para facilitar a retirada dos brasileiros. A região é de dificil acesso, cercada de florestas, montanhas e rios.
Ele disse que a animosidade entre os brasileiros e os Boni tem preocupado não apenas o consulado do Brasil, mas o próprio governo francês. Temos que trabalhar com rapidez para evitar um novo incidente, desta vez de consequências imprevisíveis. Rapesta anunciou ter entrado em contato com as autoridades da Guiana para que o exército daquele país auxilie os homens da FAB, garantindo a segurança da operação durante durante a retirada dos brasileiros.
Cerca de 12 mil brasileiros atualmente vivem e trabalham na Guiana Francesa. A maioria entrou no país de maneira clandestina, através da fronteira brasileira pelo estado do Amapá. Os que são expulsos pela polícia francesa sempre dão um jeito de voltar. Dos 12 mil, cerca de quatro mil são oriundos do Pará. A maior oferta de empregos aos brasileiros é na construção civil, que paga um salário mínimo equivalente a R$ 600,00. Outros brasileiros, porém, preferem tentar a sorte nos garimpos, embrenhando-se nas florestas.


