São Paulo, 22 (AE) - A brasileira EZTrade.com, pertencente à empresa ParaNet, uma joint-venture entre o grupo português ParaRede e a norte-americana Sterling Commerce, anunciou hoje, em São Paulo, o lançamento no Brasil e na América Latina do E-Business Center, um modelo de portais de indústria e empresarial para transações de negócios via web. Até o final do ano, o negócio exigirá investimentos de US$ 6 milhões.
Segundo o executivo Rui Fontoura, diretor-geral da EZTrade.com, a expectativa das empresas é registrar retorno do empreendimento já em 2000, com faturamento de US$ 900 mil. Para 2001, Fontoura estima receita de US$ 2,7 milhões e de US$ 5 milhões, em 2002. No prazo de 90 dias, com equipe de 30 colaboradores, a EZTrande garante que o serviço estará funcionando.
Inicialmente, a empresa implantará a oferta do E-Business Center nas áreas automobilística, farmacêutica, de varejo, transportes e construção. Nesse prazo, cada portal contará com 10 empresas. Até o final de 2000, segundo estimativas de Fontoura, cada setor, organizado em comunidade, será constituído com 50 empresas. O objetivo é integrar compradores e fonrecedores, de maneira mais eficaz, facilitar e agilizar as transações nos processos de compra, venda, entrega e pagamentos, por exemplo.
Cada comunidade terá à disposição catálogos eletrônicos, "chat" interativo, sistemas de logística, conferências, notícias em tempo real e oportunidades de emprego. No comércio eletrônico, os interessados também contarão com leilões, lojas virtuais, livros e software. A preocupação com o conteúdo do E-Business Center levou à realização de parcerias para cada indústria, publicação de notícias, lista de preços, referências técnicas e de produtos. Durante a coletiva, Rui Fontoura preferiu não nominar as parcerias, mas garantiu que estarão firmadas quando o serviço estiver disponível.
Expansão - Além do Brasil, a ParaNet deve estender sua atuação, nos próximos 90 dias, nos Estados Unidos e na Índia. Segundo o vice-presidente mundial de marketing da Sterling Commerce, Richard Waters, a ParaNet também será instalada, ainda este ano, na Argentina, no México e Chile. E já tem acordos estabelecidos na América Central e nos Andes. Para Waters, a evolução do e-business nos últimos anos pode explicar o interesse das empresas em aumentar a participação no mercado.
Ele citou estudo da DataQuest, empresa americana de pesquisa tecnológica, que estima negócios de US$ 7,3 trilhões em todo o mundo, até 2004. O montante representará cerca de 7% da economia mundial, na avaliação de Water. No ano passado, ainda segundo o executivo, a atividade do setor movimentou US$ 170 bilhões. Waters também apresentou outra pesquisa, da empresa Yankee Group, que mostra que só no Brasil, o comércio eletrônico business to business (entre empresas) representa 70% das transações, enquanto o business to consumer (entre empresa e consumidor final) fica com fatia de 30% das transações realizadas na rede.
A Sterling Commerce, empresa americana de capital aberto
registrou receita de US$ 550 milhões em 1999. Atua na área de fornecimento de soluções para comércio eletrônico e integração de processos, tem 38 escritórios e 50 distribuidoras e conta, atualmente, com cerca de 50 mil clientes, sendo 200 no Brasil, e 2.300 funcionários no mundo. Segundo o diretor Richard Water, cerca de 80% das transações no Brasil entre bancos e o Banco Central são realizadas com softwares da Sterling.
Water ainda informa que a revista "Fortune" lista a Sterling entre as 25 maiores empresas de software e serviços do mundo. A portuguesa ParaRede registrou faturamento de US$ 40 milhões em 1999. Conta com cerca de mil clientes e mais de 350 empregados em 12 países. Segundo o presidente da ParaRede International, João Manuel de Oliveira Pereira, as ações da empresa, listada na Bolsa de Valores de Lisboa, valorizaram 413% desde junho de 1999. Ele informa que em 2002, 70% do faturamento da ParaRede serão resultado de operações fora de Portugal.

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