Mesmo nos dias atuais, em que qualquer tipo de roupa pode ser encontrada pronta, com facilidade, o alfaiate ainda tem seu lugar garantido. A freguesia diminuiu, mas não desapareceu. Em Londrina, com uma população estimada em 500 mil habitantes, são cerca de 50 'artesãos de roupa', nas contas de um dos mais antigos deles, Antonio Ezídio da Silva.
Ele aprendeu a profissão incentivado pelo pai e vive dela há 51 anos. Hoje, 'Ezídio alfaiate' admite que é muito difícil aparecer alguém querendo aprender a profissão, mas na época em que começou, diz que muitos garotos sonhavam em seguir o ofício. ''Hoje, os adolescentes não querem mais saber dessa profissão e, se querem, não tem quem ensine. As leis são muito rigorosas. Se a gente pega um garoto para ensinar, tem que registrar. Além disso, meninos da idade que eu comecei, com 15 anos, não podem trabalhar. Só estudar'', diz ele.
Os segredos da profissão são passados em cursos realizados por algumas associações de alfaiates do país. Mesmo com tão pouco interesse pelo ofício, Ezídio acredita que a profissão não vá acabar tão cedo. ''Não é todo mundo que chega numa loja para comprar um terno e a peça cai perfeitamente. Tem os que não ligam se uma uma manga fica mais caída que a outra. Mas outras pessoas gostam da roupa perfeita. Enquanto houver pessoas vaidosas, que gostam de estar bem vestidas, acredito que os alfaiates continuarão existindo'', diz.(B.B.)

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