A ‘‘caça ao tesouro’’ desencadeada para localizar o avião de Antoine de Saint-Exupéry depois de encontrada no mar Mediterrâneo uma pulseira do escritor e aviador francês, atiça as rivalidades entre empresas de busca submarina e historiadores.
Um frenesi tão forte quanto o mito que rodeia tudo o que se refere ao autor de ‘‘Correio Sul’’, ‘‘Vôo Noturno’’ e ‘‘O Pequeno Príncipe’’ agita o mundo da arqueologia submarina, que se perde em intrigas, segredos e meias verdades desde que a pulseira de prata com o nome de Saint-Exupéry foi resgatada por um pesqueiro nas águas próximas à costa mediterrânea francesa, em 7 de setembro passado.
Todo mundo elabora projetos para tentar recuperar os restos do avião Lightning P38 que Saint-Exupéry pilotava quando desapareceu em 31 de julho de 1944. ‘‘É como procurar agulha em um palheiro’’, declarou Marcel Camilleri, que encontrou os restos de um Lightning P38 americano na baía de Lecques (sudeste da França).
Antes de revelar a descoberta da pulseira do escritor, a sociedade de engenharia submarina COMEX procurou o avião com a maior discrição durante vinte anos, em vão. As autoridades marítimas francesas interromperam os trabalhos de busca, lembrando que é necessária uma autorização oficial para fazer qualquer busca no mar que requeira material especializado.
No entanto, Patrick Granjean, do departamento de investigações de arqueologia submarina (DRASSM), destacou que a COMEX não precisa de autorização para fazer imersões de seu submarino utilizado para sessões de formação.
Os especialistas exploram várias pistas. Um historiador amador e uma empresa de trabalhos submarinos informaram que os restos do avião do mesmo modelo localizado, mas não indentificado na baía de La Ciotat, poderia ser o de ‘‘Saint-Ex’’.
‘‘Fraude’’, estimou Patrick Ehrhardt, outro historiador especialista dos P38, explicando que o avião de La Ciotat é verde oliva como os do exército americano e que nas fotos tiradas do aparelho aparece a estrela que os aviões americanos usavam como escudo.
O representante dos herdeiros de Saint-Exupéry, Frédéric d’Agay, que condena toda intenção ‘‘mercantil’’ na busca, afirma que os herdeiros apoiarão ‘‘todos os projetos de verificação e autentificação’’ dos restos que forem encontrados, mas na forma de um comitê de especialistas com sentido científico e histórico.France PresseSaint-Exupéry e seu Lightning P38. O aviador e escritor desapareceu num vôo de reconhecimento em julho de 1944Sophie Huet
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