Extrema-direita aguarda espaço no governo austríaco
Viena, 04 (AE-AP) - Enquanto Joerg Haider, um nacionalista que certa vez elogiou a era Hitler, aguarda nos bastidores para seu partido unir-se ao próximo governo, o conservador Partido do Povo mantém esperanças de ultrapassar o Partido da Liberdade, do qual Haider é lider, na contagem final e renevoar sua grande coalizão de 13 anos com os social-democratas.
A menos que o Partido do Povo consiga superar-se na contagem dos últimos votos, virtualmente garantindo a formação de uma coalizão entre ele e os líderes socialistas, a áustria poderia enfrentar semanas de incerteza política e possivelmente novas eleições se um governo viável não possa ser formado.
Segundo resultados provisórios de domingo, o Partido da Liberdade, de Joerg Haider, conquistou 27,22% dos votos, um aumento expressivo de 5,33 pontos percentuais, que o levou para o segundo lugar.
O Partido do Povo caiu para um total de 26,90%, deixando-o no terceiro lugar. Mas ainda têm de ser contados cerca de 200 mil votos em trânsito, deixando em aberto a possibilidade de o Partido do Povo acabar em segundo lugar. Caso não consiga, o Partido do Povo prometeu ir para a oposição.
Isto obrigaria os socialistas a buscarem um novo parceiro para a coalizão. Mas o líder social-democrata, chanceler Viktor Klima
tem descartado uma coalizão com o Partido da Liberdade.
O Partido Social Democrata caiu para um total de 33,39% dos votos - conquistando apenas um terço das 183 cadeiras no Parlamento, bem menos do que a maioria necessária para aprovar leis.
Haider, 49 anos, e seu partido comemoraram seu sucesso, prometendo continuar com seu forte desempenho na cena política no futuro próximo.
"Nas próximas semanas e meses também seremos muito fortes na esfera política", disse Haider a uma multidão de seguidores na festa partidária domingo à noite. Ele acrescentou que quer promover uma política "concentrada na áustria".
Os social-democratas estimam que cerca de 213 mil votos emigraram para o Partido da Liberdade, que teve seu melhor desempenho eleitoral desde sua fundação, em 1945. Segundo analistas, muitos dos votos vieram da classe trabalhadora austríaca, que sentee uma necessidade de mudança.
Muito da popularidade de Haider é baseada na alienação que muitos assalariados sentem sob as políticas de altos impostos e outras dos dois partidos governistas. Ele tem criticado duramente a asfixiante burocracia e "os gordos salários" de funcionários do governo.
A campanha do Partido da Liberdade foi dominada por chamados pela suspensão da imigração - cartazes em Viena, a capital, advertiam contra a "excessiva estrangeirização", numa linguagem que lembrava a era nazista.
Haider também tem prometido generosos subsídios para creches e outros benefícios que outros partidos afirmam não podem ser financiados.
O sucesso do Partido da Liberdade foi destaque nos jornais em toda a Europa e outras regiões do mundo, mas a reação no exterior foi quase unanimente negativa.
Na vizinha Eslovênia, que é candidata a filiar-se à União Européia - uma pretensão à qual Haider é radicalmente contrário - o diário Delo, o maior do país, escreveu que o desempenho eleitoral do Partido da Liberdade poderia "desestabilizar a áustria, mas pode também colocar em dúvida as relações do país com a República Checa, a Eslováquia e a Eslovênia".
"Agora, as vozes daqueles que sentem que uma expansão da Europa para o sul e leste não é um sacrifício, e sim um ganho, ficarão muito mais silenciosas", comentou o jornal.
Ministros do Interior da União Européia reunidos em Luxemburgo também expressaram preocupação com a guinada da áustria para a extrema direita.
Depois de elogiar o governo atual por suas conquistas econômica e social, o ministro do Interior da Alemanha, Otto Schily, afirmou: "Lamento que slogans racistas tenham sido usados e acusações de que a áustria tem estrangeiros demais... Aconselhei ao governo para continuar com seu bom trabalho".
O Departamento de Estado dos EUA pediu ao Partido da Liberdade para continuar com a tradição da áustria de apoiar os direitos humanos e direitos iguais para a todas as minorias caso ele torne-se integrante do governo.





