Extirpar para não contaminar
O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado, Jair Cesário da Silva, afirmou que o aumento dos policiais em crimes e na corrupção é extremamente preocupante. Ele acredita que o corrupto deve ser denunciado, extirpado das delegacias, colocado na cadeia, porque poderá contaminar os demais. Silva acredita que uma polícia sem corrupção, sem violência, prestativa, é o ideal e só tem a ganhar.
Ele quer ver as polícias mais próximas da população. A comunidade deve acreditar na sua polícia. E para ter um policial eficiente é preciso dar condições de trabalho e um salário melhor. O presidente da associação afirmou que a categoria não tem aumento há cinco anos e mesmo assim todos trabalham com vontade para a diminuição dos índices de criminalidade.
O presídio do Barro Branco, da Polícia Militar, tinha na sexta-feira 270 presos - a capacidade é para 100. A maioria está condenada por violência, extorsão, tráfico de drogas e assalto. O Presídio Especial, da Polícia Civil, no mesmo dia, estava com 160 presos. A maioria está presa por corrupção.
O comando-geral da Polícia Militar não quis se pronunciar sobre o aumento da corrupção na corporação, as 673 demissões do ano passado e o trabalho para combater esse tipo de crime.
Um oficial do serviço de Comunicação Social da PM afirmou que somente a Secretaria da Segurança Pública poderia dar explicações sobre isso. Eles divulgaram as estatísticas. Eles devem falar. Na semana passada, a Segurança Pública divulgou os números da violência e de PMs demitidos em 2003.
Enquanto a PM faz silêncio sobre seus punidos e o trabalho realizado, na Polícia Civil o corregedor Silveira Melo disse não ter nada a esconder. Trabalhamos de portas abertas e estamos investindo cada vez mais para o controle da situação e para darmos respostas rápidas à população.
Dos 237 demitidos da Polícia Civil em 2003, a maioria foi por corrupção, irregularidades administrativas, furto, roubo, violência e seqüestro. O maior número foi de investigadores, seguido dos carcereiros, agentes policiais e escrivães. Entre os colocados na rua, dez eram delegados.





