ArquivoFuturo ameaçadoOs ianomânis estão entre os mais afetados pelos efeitos do processo de civilização imposto pelos brancosEstudo feito pelo Worldwatch Institute, dos EUA, alerta que a metade dos seis mil povos indígenas existentes na Terra deverá desaparecer nos próximos 95 anos. Segundo o instituto, com as culturas indígenas, desaparecem também muitas espécies animais e vegetais ainda desconhecidas pela ciência, causando problemas no ecossistema. Os índios ocupam cerca de 20% das terras em todo o mundo. O desparecimento de metade de suas espécies afetará principalmente o Brasil, a Indonésia, Austrália, Nova Zelândia, México e Zaire, segundo o estudo.
No Brasil, eles eram cerca de quatro milhões, organizados em tribos, quando os portugueses aqui chegaram. Hoje, eles são pouco mais de 200 mil, instalados em 10% das terras do País mas tendo de enfrentar as invasões de grileiros e outros problemas trazidos pelo ‘‘homem branco’’. Os ianomânis, por exemplo, tidos como uma elite indígena, estão entre os mais afetados pelos efeitos do processo de civilização imposto pelos brancos.
Médicos de universidades brasileiras encarregados de dar assistências aos indígenas dizem que as epidemias que atingiram os ianomâmis foram causadas pela chegada do ‘‘homem branco’’. O alcoolismo também é outro problema que exige solução urgente. Alguns grupos foram dizimados por epidemias como tuberculose, sífilis e sarampo. São doenças facilmente curadas com antibióticos, mas os diagnósticos são muito precários, em determinadas regiões.
Outro problema que afeta mais as jovens populações indígenas é o do suicídio. No ano passado, preocupado com as notícias de casos registrados nas aldeias dos caiuás e nandevas, um grupo de povos indígenas decidiu formar o ‘‘Mutirão pela Vida’’, a fim de tentar levantar o moral das tribos.
A solidariedade de tribos como as do Terena - da reserva de Dourados, mais abastados que os outros - dos Kuikuro e dos Txucarramães, entre outras, tem ajudado a amenizar o problema, assim como a Funai - Fundação Nacional do Índio, chamada para encaminhar médicos e advogados para ajudar a combater a depressão.
Segundo relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), no entanto, os índios precisam de ajuda mais efetiva, não só com relação à produção agrícola e assistência médica, mas também no combate às drogas, que vem se tornando outro sério problema entre os jovens, mais especialmente os caiuás. Para o Cimi, a produção agrícola viria a dar a eles uma ocupação salutar.

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