EXTERMÍNIO NO RIO - Suspeitos de chacina, 12 PMs são detidos
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segunda-feira, 04 de abril de 2005
Mario Hugo Monken<br>Folhapress 
Rio- A Secretaria de Segurança Pública do Rio informou ontem que 12 policiais militares estão presos ou detidos suspeitos de terem participado da matança de 30 pessoas na noite da última quinta-feira, nos municípios de Queimados e Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.
Cinco dos PMs, todos do 24º Batalhão (Queimados), tiveram a prisão temporária (30 dias) decretadas pela Justiça porque foram reconhecidos por testemunhas, que estão recebendo proteção policial e não tiveram os nomes revelados.
A PF diz que, além do reconhecimento das testemunhas, tem outros indícios de que os PMs presos participaram do massacre. Segundo o delegado Roberto Prel, em depoimento, os suspeitos admitiram ter passado pelos locais da matança em horários próximos ao que ocorreram as mortes.
Os outros sete policiais estão detidos administrativamente por 72 horas. Destes, apenas um estava identificado até o início da tarde: o tenente Roberto de Assis Carvalho, chefe do Serviço Reservado do 24º Batalhão. Os demais, a polícia não informou os nomes, nem os batalhões a que pertencem. Contra os PMs suspeitos, há denúncias de envolvimento em roubos e sequestros.
O delegado Prel afirmou que deverá pedir hoje a prisão de novos suspeitos. A PF apreendeu três carros e investigará se podem ter sido usados na chacina. O Disque-denúncia só ontem recebeu mais de 400 ligações com informações a respeito da chacina e que serão analisadas.
A principal hipótese para o massacre, segundo a Secretaria de Segurança, é uma possível retaliação às punições impostas por comandantes de batalhões da Baixada Fluminense, como a prisão de oito policiais do 15º Batalhão (Duque de Caxias) acusados de matar dois homens e jogar a cabeça de um deles dentro da unidade.
A PF afirmou ter recebido denúncias de que PMs da Baixada Fluminense estariam planejando um novo massacre como retaliação pela prisão dos colegas. A informação foi passada por um oficial_ cujo nome é mantido em sigilo_ que atua em um batalhão da Baixada. Ele disse ter ouvido tal ameaça por um rádio da corporação e comentou o fato com um delegado da PF.
O chefe da Polícia Civil, Álvaro Lins, disse ontem que a polícia trabalha também com outra linha de investigação: a de que a chacina seria uma disputa de poder entre grupos de extermínio formado por PMs que atuam na Baixada.
Uma força-tarefa, integrada por policiais federais, civis e militares, foi formada para apurar a existência de grupos de extermínio na região da Baixada.
O governo estadual anunciou que pagará pensão mensal às famílias das vítimas da matança. O valor será entre um e três salários mínimos.


