Extensão das perdas em Roraima é desconhecida
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de março de 1998
Das agências 
A extensão exata da área devastada em Roraima pelo fogo que atinge o Estado só poderá ser determinada a partir de abril, quando a estação Landsat, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), estiver funcionando em Cuiabá (MT). Essa é a análise do diretor do instituto, Márcio Nogueira Barbosa, 46. Para ele, as previsões feitas sobre a devastação são chute. Desde o dia 8 deste mês, quando começou a fazer o monitoramento dos focos de queimada, o Inpe está utilizando imagens do satélite norte-americano Noaa, que passa sobre a região uma vez por dia e tem baixa resolução. Sexta-feira, essas informações passaram a ser transmitidas ao Inpe pelo Noaa em tempo quase real - 30 minutos após o recebimento -, como forma de tentar agilizar as informações sobre a localização dos focos para o Ibama. Com um orçamento anual de US$ 250 mil para fazer monitoramento de queimadas, de um total de US$ 100 milhões repassados por ano ao instituto, Barbosa alega que o Inpe já havia previsto a seca no Norte do país em dezembro.
Tragédia antiga O fogo que hoje atrai a atenção internacional para o Estado de Roraima começou há 28 anos, com a política dos militares de trazer para a Amazônia pequenos agricultores sem dinheiro ou uma classe média mais ou menos arruinada do centro e do nordeste do Brasil, disse, ontem, um dirigente do Instituto de Pesquisas da Amazônia.
Nos anos 70 (em plena ditadura) era mais fácil para os militares enfrentar os indígenas do que controlar as fortes pressões sociais no sul do país, e por isso incitaram as pessoas a conquistarem a Amazônia, explicou Reinaldo Barbosa, do Inpa. Em 1978, viviam 80.000 habitantes no território de Roraima, formado 72,1% por selva e o resto por savanas. Em 1996, se registraram 262.000 habitantes, 32.000 deles indígenas.


