'Expulsos' acampam na casa do bispo
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
Sete famílias de ex-funcionários da Fazenda Mitacoré, em São Miguel do Iguaçu (45 quilômetros a nordeste de Foz do Iguaçu), que afirmam terem sido expulsas da área pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), acamparam, ontem pela manhã, em frente à Cúria Diocesana de Foz do Iguaçu, residência e local de trabalho do bispo Dom Olívio Fazza.
O grupo acusa o bispo e a freira Zenaide Guarnieri, coordenadora da Pastoral do Migrante de Foz do Iguaçu, de estimularem os sem-terra a expulsar as famílias da fazenda. Eles dão proteção aos sem-terra e a irmã Zenaide chegou a dizer para as famílias de ex-funcionários que elas só teriam duas opções: ir embora ou se juntar ao MST, disse o ex-administrador da fazenda, Jair Ruhoff, que liderou o deslocamento do grupo até Foz do Iguaçu. Não concordamos com nenhuma dessas duas situações.
A Folha não conseguiu ouvir ontem o bispo e a freira. Segundo uma funcionária da Cúria, dom Olívio estava participando de uma reunião de pastorais, em Apucarana, e deverá retornar hoje a Foz do Iguaçu. O telefone da Pastoral do Migrante não atendia no início da tarde.
Oiti Fincler, integrante da coordenação regional do MST, afirmou, em entrevista por telefone, que os dois religiosos apenas tentaram mediar o impasse entre os sem-terra e os ex-funcionários da Mitacoré. Fincler confirmou que foi feito um convite para que essas famílias se filiassem ao movimento. Mas só os que estão desempregados, que são sem-terra também.
Com 1.098 hectares, a Fazenda Mitacoré pertencia ao Grupo Bamerindus. Em março de 97, ela passou ao controle do Banco Central, após intervenção federal no grupo paranaense. A invasão dos sem-terra ocorreu em agosto do mesmo ano. Agora, a propriedade, que pertence à União, deverá ser dividida em dois projetos: assentamento de sem-terra e instalação da Universidade do Agricultor, um programa de pesquisa e difusão de tecnologia agrícola.
O grupo de famílias, que soma 25 pessoas, chegou a Foz do Iguaçu no início da manhã. Foram erguidos dois barracos de lona sobre a calçada em frente à Cúria Diocesana. Segundo Ruhoff, o grupo permanecerá no local até que a Igreja Católica negocie uma solução.
Queremos que pelo menos seja garantida a permanência na fazenda das dez famílias que ainda estão lá, afirmou. Na opinião de Ruhoff, a Igreja está tendo um posicionamento cego nessa questão.





