Paris, 13 (AE) A abstenção foi a grande vitoriosa nas eleições para o Parlamento Europeu, atingindo 77 % na Grã- Bretanha e 52,5% na França - a mais alta desde 1945 . A guerra do Kosovo e a crise do frango da dioxina contribuíram para aumentar o desinteresse pela campanha eleitoral, principalmente na fase final.
Na Europa, apesar da vitória obtida pelos socialistas franceses, os social-democratas perderam em parte a posição vantajosa mantida até agora naquele Parlamento - a social democracia controla ainda quase todos os governos da União Européia. Os grandes derrotados foram o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o chanceler chanceler alemão, Gehard Schroeder.
Na Alemanha, onde a abstenção foi de 45 %, o resultado foi um verdadeiro voto sanção contra o governo de Schroeder, oito meses após as eleições legislativas que levaram os social-democratas ao poder. A coalizão de oposição do ex chanceler Helmut Kohl, deverá ocupar 53 das 99 cadeiras alemãs no Parlamento Europeu. Na Grã Bretanha, a perda dos trabalhistas para os conservadores é também significativa. Os conservadores obtiveram 37 % dos votos contra 29 % dos trabalhistas.
Na Itália, a oposição de direita, principalmente o partido de Silvio Berlusconi obteve 42 % dos votos contra 38% das forças de centro esquerda. A maior surpresa foi o resultado obtido pela lista de Ema Bonino, 10 % dos votos. Dessa forma, o PSE , Partido Socialista Europeu, não vai manter sua posição predominante no Parlamento Europeu onde mantinha 214 cadeiras.
Segundo as estimativas o Partido Popular Europeu, PPE, constituirá a primeira representação nesse parlamento. Os socialistas europeus deverão perder cerca de 30 cadeiras no Parlamento Europeu, a maior parte na Alemanha, Grã Bretanha, Itália, Espanha e Grécia. Tony Blair e Gehard Schroder que haviam lançado um manifesto comum social liberal na segunda feira preconizando uma recentragem dos sociais democratas europeus foram forntemente penalizados. Hoje, François Holande, cabeça da lista socialista lembrava que a linha dos socialistas franceses, mais voltada para o social do que a de outras sociais democracias vizinhas, parece ser a melhor.
À esquerda , a lista dos socialistas franceses lidera a votação com 22,5 % dos votos, seguida pelo excelente resultado obtido pelas lista verde, encabeçada pelo alemão Daniel Cohen Bendit, que obteve 10 % dos votos.
Os comunistas de Robert Hué estacionaram a 7% , o resultado mais baixo dos comunistas desde o fim da guerra. Quanto a extrema esquerda, representada pelos partido Luta Operária e Liga Comunista Revolucionária, obteve um resultado importante , 5 % dos votos. Outra supresa foi a votação obtida pela lista Caça e Pesca, 5% dos votos.
À direita, o principal derrotado foi o presidente Jacques Chirac, diante do magro resultado obtido pelos partidos que o apoiam. Na verdade, a divisão entre pró europeus e anti europeus , provocou a explosão das forças que apoiavam o chefe de Estado.
Seu partido, o RPR, cuja lista foi encabeçada por Nicolas Sarkozy, juntamente com os liberais, só obteve 13 %, o mesmo resultado da lista RPF, uma dissensão do RPR, encabeçada pelo ex ministro do Interior, Charles Pasqua e pelo dirigente da direita aristocrática, Philippe de Villiers. Os centristas da UDF, liderados por François Bayrou obtiveram 9,5 % .
Quanto a extrema direita, o racha no Partido da Frente Nacional também contribuiu para fragilizar esse partido, dirigido por Jean Marie Le Pen, que só obteve 6 % dos votos. A dissidência, o Movimento Nacional dirigido por Bruno Megret obteve 3,5 % dos votos.
A derrota eleitoral da oposição conservadora na França deverá provocar um mini-tempestade entre os partidários de Jacques Chirac.
Nicolas Sarkozy, principal dirigente do RPR, admitiu claramente o fracasso, considerando que ele se deve a desunião, mortal para oposição. Outro que reconheceu também o malogro foi o comunista Robert Hué, cuja lista foi aberta a personalidades de outros horizontes políticos.
Ele credita sua derrota ao manifesto social democrata lançado por Tony Blair e Gehard Schroder, que contribuiu para a alta abstenção registrada no eleitorado de esquerda da França.

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