Expressiva abstenção do eleitorado marca eleições para Parlamento Europeu
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sexta-feira, 11 de junho de 1999
Por REALI JÚNIOR, Correspondente 
Paris, 12 (AE) - O início do processo eleitoral para a escolha dos 626 deputados do Parlamento Europeu foi marcado por uma forte abstenção nos quatro países que votaram durante a semana.
Na Inglaterra e Holanda, a abstenção constituiu um recorde histórico, 70%. O pleito prossegue amanhã (13) nos 11 outros países da União Européia e a tendência é a mesma. Na Franca, espera-se uma abstenção recorde, que poderá chegar a 60%, revelando o forte desinteresse do eleitorado europeu pelo pleito.
O fim da Guerra nos Bálcãs contribuiu para eclipsar ainda mais a campanha eleitoral que privilegiou, na maior parte dos países, temas nacionais e não verdadeiramente europeus.
A campanha eleitoral foi encerrada com a quebra do elã dos socialistas franceses, que quiseram demonstrar a unidade dos governos social-democratas europeus interessados em construir uma Europa social.
O manifesto assinado pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, e o chanceler alemão, Gehard Schroeder, propondo uma Europa social-liberal, menos socialista, reservando um papel bem mais modesto para o Estado, acabou sendo um presente de grego para Lionel Jospin e seus amigos.
Já em Colônia, na semana passada, durante a reunião dos governantes europeus, constatou-se como os discursos sobre a Europa social são diferentes. De qualquer forma, como afirma o sociólogo Pierrre Bourdieu, seja qual for o resultado do pleito, "um verdadeiro movimento social em escala européia continua indispensável". É por isso que Bourdieu acredita que a Europa vive uma crise de legitimidade.
Apesar de não dispor do mesmo tipo de poder legislativo das assembléias nacionais, o Parlamento Europeu, desde as eleições de seus membros pelo sufrágio universal direto e a adoção dos Tratados de Maastricht e Amsterdã, tem ampliado suas áreas de intervenção para a realização do grande mercado europeu, além da orientação para condenar todas formas de desrespeito aos direitos do homem.
A idéia de que o Parlamento Europeu não tem poderes está sendo afastada e foi a pressão dos eurodeputados que obrigou a Comissão Européia, seu presidente e comissários, a pedir demissão sob suspeita de atos de nepotismo e favoritismo de alguns de seus membros.
Quase cem partidos integram o Parlamento Europeu, reunidos em nove grupos parlamentares, mas dois são predominantes, havendo um forte equilíbrio. Trata-se do grupo social-democrata do PSE, 214 parlamentares, e o PPE, Partido Popular Europeu, onde se concentram os democrata-cristãos, com 201 deputados.
Os demais grupos são constituídos pelos liberais do Partido Europeu dos Liberais, democratas e reformadores, com 42 deputados; a União para a Europa, partido de direita, com 34 deputados; o Grupo Confederativo da Esquerda Unitária, 34 deputados; Verdes, 27 deputados; Aliança Radical Européia, 21 deputados; Independentes para a Europa das Nações, 15 deputados e não- inscritos, onde se insere a extrema direita francesa, belga e italiana, com 31 deputados.
Esse atual equilíbrio dificilmente será modificado, esperando-se que os dois grupos tradicionais de esquerda e direita mantenham essa predominância em relação aos demais, mesmo sendo possível uma inversão de posições entre social-democratas e cristão- democratas, que desde a legislatura passada chegaram a um acordo para alternar-se na presidência do Parlamento Europeu.
A Mesa do Parlamento é constituída por 1 presidente e 14 vice-presidentes, eleitos para um mandato de dois anos e meio, além de 5 administradores, encarregados de questões administrativas e financeiras dos deputados. No Parlamento, funcionam também 20 comissões, cada uma com um presidente e três vices. A administração cabe a um secretário-geral e sete outras direções gerais.
O Parlamento divide certas decisões com o Conselho da Europa, podendo rejeitar novos Estados membros. O Parlamento vota o orçamento da Comissão Européia e seu presidente é também um de seus signatários. O Parlamento deve também aprovar a designação do presidente da Comissão Européia podendo censurá-la , se for o caso. Enfim, essa assembléia deve ser consultada também sobre a escolha da política externa e de segurança dos 15.


