A disputa pela posse de terras no Paraná será um dos assuntos debatidos durante a 43 Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina que acontecerá entre os dias 3 e 13 de abril. Segundo o presidente da Sociedade Rural do Paraná Edson Neme Ruiz, a Comissão de Mediação das Questões de Terras criada pelo governador Roberto Requião (PMDB) quer negociar com os proprietários rurais uma solução pacífica para o problema das invasões. ''Nossa única preocupação é que esses movimentos sociais não tenham paciência para esperar as mudanças prometidas pelo governo'', adiantou.
Para Ruiz, o País necessita de uma ''forma'' rural que mantenha na terra quem realmente tem vocação agrária, que ofereça estrutura e acesso à tecnologia para gerar produtividade. ''Até hoje, muito dinheiro foi gasto com poucos resultados. Não basta apenas lotear áreas e distribuí-las. É preciso dar condições de trabalho ao homem do campo''.
De acordo com ele, nem mesmo os produtores já estabelecidos conseguiram escapar dessa política agrícola inadequada. Aqueles que não abandonaram a atividade estão endividados com os bancos. Embora admita que a questão seja complicada, Ruiz afirma que é possível encontrar um acordo. ''O Brasil é o único País que pode aumentar sua produção e ser a solução para o mundo'', opinou o ruralista.
Como também coordenador do Conselho das sociedades rurais paranaenses, Ruiz não acredita na possibilidade de uma luta armada entre as partes. Para ele, a lei tem que ser respeitada por todos e os poderes constituídos devem zelar por isso. Na última reunião do grupo ficou decidido que a classe vai se manter unida e informada acerca dos acontecimentos que lhe dizem respeito para que saiba como proceder.
Embora ainda não haja data definida para o encontro em Londrina, a expectativa é que aconteça no dia 3 de abril. Fazem parte da Comissão de Mediação: dom Ladislau Biernaski (arcebispo-auxiliar de Curitiba e presidente da Comissão Pastoral da Terra), padre Roque Zimmerman (Secretário Estadual do Emprego, Trabalho e Promoção Social), Benjamin Zanlorenci (representante da Secretaria de Segurança), sua assessora Célia Milano da Cunha e Mauro Pirolo (major da Polícia Militar).

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