Exposição no Museu da República lembra Vargas
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Adriana Ferreira 
RIO, 23 (AE) - O presidente Getúlio Vargas ganhará uma nova exposição no Museu da República, no Rio, a partir de amanhã (24)
data que marca 45 anos de seu suicídio. Entre os objetos expostos, o revólver Colt com cabo de madrepérola e a caneta com que assinou a carta-testamento.
A mostra inclui uma meia com o monograma GV, as mais de cem comendas que recebeu ao longo da vida pública e uma maleta com objetos de higiene - pente, espelho e potes de perfumes. "As pessoas se dão conta de que o ditador era um ser humano comum", diz a historiadora Regina Luz, uma das coordenadoras do trabalho de catalogação do acervo. A carteira de identidade, de 9 de julho de 1945, reforça a dimensão do papel do estadista com a inscrição: Doutor Getúlio Vargas. Ao lado do documento, seu título de eleitor.
Os inseparáveis charutos também figuram na coleção, além de isqueiro e um selo com o rosto do presidente. "Getúlio tinha noção de seu papel na história do País", indica a neta Celina Amaral Peixoto. O taco de golfe e as bolinhas com as iniciais GV que Vargas usava também estão no acervo.
Já a biblioteca composta pelos 1.633 livros é uma mistura de publicações sobre Direito - profissão que Vargas exerceu -, biografias como a de Napoleão e a de Mussolini, que ganhou de presente, e obras clássicas. Pode-se ver ainda uma coleção de dedicatórias: Humberto de Campos, Monteiro Lobato, Gilberto Freire, Franklin Roosvelt e Virgilio de Mello Franco, entre outros.
Ao saber que Celina iria doar um grande acervo sobre o avô, o advogado Geraldo Calmon da Costa Júnior decidiu dar o mesmo destino ao material acumulado por seu pai, Geraldo Calmon da Costa. Quando jovem, ele foi um dos organizadores do Queremismo, movimento pela volta de Vargas ao poder e a dedicação virou amizade - foram anos de cumplicidade e fidelidade.
"Meu pai deixou clara a vontade de ver um museu dedicado ao estadista", lembra o filho. Várias fotos de Calmon da Costa registram momentos de Vargas. "Esse tipo de doação é fundamental para dar consistência ao acervo do Museu da República", diz o museólogo Cícero Antônio Fonseca de Almeida.


