Exposição de moedas raras festeja chegada de Cabral ao Brasil
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 16 (AE) - Como parte dos festejos pelos 500 anos da chegada de Pedro álvares Cabral ao Brasil, uma coleção de 221 moedas raras, cunhadas em Portugal na época dos grandes descobrimentos, será exposta na casa onde morou Cabral, transformada em "Casa do Brasil". Entre as peças - em ouro, prata, cobre e estanho - existe uma que é única no mundo, datada de 1499.
Inédito, o acervo estava guardado no Museu Histórico Nacional desde sua inauguração, em 1922, e tem modelos raríssimos, do período que vai de 1383 a 1580. Da época de dom Manuel I, a moeda em cobre chamada "índio", sem similar, foi doada ao museu em 1924 por um colecionador português que morava no Rio. Calcula-se que ela tenha sido trazida quando o Brasil foi descoberto. "Quem sabe ela não estava no bolso de Cabral quando ele veio para cá", brinca a curadora da exposição, Rejane Lobo Vieira, que prefere não divulgar o valor de mercado da peça com medo de atrair assaltantes.
As peças poderão ser vistas de 09 de março a 22 de abril
na cidade de Santarém, onde morou Cabral. Na inauguração, estarão presentes os presidentes dos dois países. "Será uma ocasião da maior importância porque os portugueses poderão conhecer um patrimônio seu que está sendo muito bem conservado por aqui", afirmou a diretora do MHN, Vera Tostes. "Não basta comemorar os 500 anos; temos que refletir sobre a história comum de Portugal e Brasil".
As negociações bilaterais para a exposição estão sendo feitas há quatro anos. Em maio, a mostra seguirá para outra cidade portuguesa, Viana do Castelo, onde será criada a "Praça do Brasil". Os brasileiros só conhecerão as moedas em outubro (mês do aniversário do MHN), quando será reinaugurada a Casa do Trem, prédio anexo ao museu, finalizado em 1762. Restaurado, o espaço abrigará a coleção, que ficará em exposição permanente, além de outras raridades. O acervo de numismática atual (composto de 127 mil peças de grande valor histórico, entre selos, papel moeda e medalhas), é o maior do gênero na América Latina.
Para a curadora, a comunicação entre especialistas dos dois países foi fundamental para adquirir as informações necessárias à realização da mostra. "Os portugueses ficaram encantados com a raridade das moedas, que estão sendo ansiosamente esperadas por lá", contou Rejane. A coordenadora do projeto, Heleny Pires de Castro, orgulha-se da importância do trabalho. "É uma coleção de qualidade excepcional, que resgata uma história de 600 anos que nunca foi contada aos portugueses"
disse.
A equipe do museu produziu um catálogo das peças, analisadas uma a uma, com tiragem inicial de 2 mil exemplares. Paralelamente, está previsto o lançamento de um CD-ROM sobre o tema.


