Exportadores usam várias estratégias para aumentar vendas
Por Denise Neumann
São Paulo, 5 (AE) - As estratégias dos exportadores para aumentar suas vendas está envolvendo desconto no preço em dólar, alteração do mix para aumentar o valor agregado, busca de novos mercados e aposta na recuperação do preço internacional de commodities agrícolas e de semimanufaturados.
Um estudo do Departamento Econômico do Citibank sobre a balança comercial brasileira indica que nos primeiros dois meses deste ano o preço dos principais produtos básicos e semimanufaturados exportados pelo Brasil estavam em média 20% abaixo de igual período do ano passado. Na média do ano - considerando que já há recuperação de alguns desses preços no mercado internacional - o Citibank espera um preço médio 3% abaixo do ano passado para as principais commodities exportadas pelo Brasil.
Em calçados, os dados oficiais ainda indicam que as vendas deste ano estão 7% menores em valor que as do ano passado
mas o número de pares ficou igual: 50 milhões. O resultado de abril, contudo, mostra uma reversão: o volume de pares vendidos no exterior cresceu 10%: foram 11 milhões este ano e 10 milhões no ano passado.
A receita do mês caiu 2%, ficando em US$ 94,7 milhões. "Os preços de exportação foram reduzidos entre 5% e 10%", explica Ricardo Wirth, vice-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados), responsável pela área de exportação. Novos mercados - A Perdigão está prevendo faturamento de pelo menos US$ 300 milhões com exportações este ano, 15% a mais que em 98. Segundo o presidente da companhia, Nildemar Secches, os negócios externos foram favorecidos pela desvalorização do real e por um planejamento que inclui melhorias na infra-estrutura de produção e prospecção de clientes.
"A desvalorização foi bem-vinda para a Perdigão", disse o executivo, em reunião na Federação das Associações Comerciais do Rio Grande do Sul (Federasul). Secches ressalvou, porém, que a balança comercial brasileira não teve todo o impacto favorável esperado do ajuste cambial. De acordo com ele, os compradores de commodities estão pressionando por descontos que levam parte da margem proporcionada pela queda do real.
A Weg, maior fabricante de motores elétricos da América Latina, registrou lucro líquido de R$ 13,16 milhões no primeiro trimestre, ante R$ 18,96 milhões no mesmo período de 98 . Segundo Alidor Lueders, diretor-administrativo da empresa, a Weg resolveu absorver todo o impacto da desvalorização da moeda (R$ 20 milhões líquidos) no primeiro trimestre. Ele acredita que nos próximos meses a lucratividade deverá aumentar por causa do crescimento das exportações.
Segundo ele, as vendas externas devem chegar a US$ 127 milhões em 99 ante US$ 118,3 milhões em 98, mas em reais elas devem crescer 50% este ano. A Weg detém 1% do mercado norte-americano, que está evoluindo 8% ao ano. A perspectiva de aumentar os negócios no exterior com a mudança cambial está levando a empresa a inaugurar um escritório comercial no México, o 12.º fora do Brasil.
Recuperação - Pelos dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), a Aracruz Celulose exportou US$ 111 milhões no primeiro trimestre, valor 7% inferior ao mesmo período do ano passado. No documento em que anunciou seus resultados trimestrais, a companhia informou que vendeu 298 mil toneladas de celulose, volume 3,8% maior que no primeiro trimestre do ano passado. Desse total, 95% foi exportado, principalmente para Europa (47%), ásia (23%) e América do Norte (22%).
No período, o preço médio da tonelada de celulose foi de US$ 360,00, 12% menor que os US$ 409,00 obtidos no primeiro trimestre de 98. Esse preço menor foi compensado pela variação cambial e, por isso, a receita operacional da empresa chegou a R$ 191,1 milhões, valor 49,2% superior à receita obtida de janeiro a março do ano passado. Para o resto do ano, os preços tendem à recuperação: em 1.º de abril os produtores anunciaram novos preços, sendo de US$ 450 a tonelada para a ásia e 420 a tonelada para a Europa.
As receitas em dólar da CST caíram - apesar do maior volume vendido - por causa do preço da tonelada de placa de aço (a CST é a maior fornecedora mundial desse produto). No primeiro trimestre do ano passado, o preço médio da tonelada foi US$ 260 00. No mesmo período deste ano, ficou em US$ 155,00. "Perdemos mais de US$ 100,00 por tonelada", observa Benjamin Baptista Filho, diretor da CST. "Mas os níveis de preços estão se recuperando de forma sustentada", informa. Para o ano, a empresa espera encerrar com exportações (em toneladas) 20% maior que no ano passado, chegando a 4,3 milhões de toneladas. Isso permitirá recuperar, ao longo do ano, a perda em dólares registrada no primeiro trimestre.
Qualidade - Algumas empresas estão conseguindo aumentar o valor agregado nas suas exportações. A Sadia, cujas receitas em reais com as exportações cresceram 130% no primeiro trimestre
conseguiu dobrar (de 2% para 4% do total) a participação dos produtos de maior maior valor no total das vendas ao exterior. As receitas com vendas de industrializados aumentaram 145%, enquando as vendas de aves subiram 94%, em valor. Segundo o presidente da empresa, Walter Fontana, a busca de mercados alternativos, como países da ásia Central e da América Central, e a consolidação dos negócios nas regiões onde a empresa já atuava ajudou no êxito das vendas externas. (Colaboraram Rodney Vergili e Sérgio Bueno, da AE)





