São Paulo, 8 (AE) - A Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex) vai tentar uma aproximação maior com o governo federal para buscar formas de melhorar o desempenho das exportações brasileiras. No dia 7 de outubro, vai realizar um seminário em São Paulo, que deverá contar com a presença do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP). Com esse evento, a Abracex pretende sensibilizar o governo a respeito de mudança nas políticas de exportação brasileira, para que se atinja a meta de US$ 100 bilhões em 2002.
"Precisamos eliminar os impostos em cascata, obter financiamentos a juros mais compatíveis com os obtidos pelos nossos concorrentes em níveis internacionais, combate ao contrabando e fim da burocracia", diz o presidente da Abracex, Roberto Segatto. "Só desvalorização cambial não é suficiente para alavancar exportações", acrescentou.
Para Segatto, com a substituição de Clóvis Carvalho por Alcides Tápias no Ministério do Desenvolvimento, houve mudanças nas expectativas sobre a balança comercial brasileira em 99: antes, o executivo acreditava em um equilíbrio entre importações e exportações, e agora prevê um déficit de US$ 2 bilhões.
"Com Clóvis Carvalho poderíamos ter um empate técnico, mas agora é preciso ver se Tápias terá espaço para trabalhar", avalia Segatto.
Não só a troca de ministros, mas também a alta no preço do petróleo também deverá contribuir para esse saldo negativo este ano, acrescenta. "Os países exportadores conseguem atingir cerca de 20% do PIB com comércio exterior. Se seguíssemos essa linha, deveríamos exportar até US$ 200 bilhões por ano, mas em 98 chegamos a apenas US$ 48 bilhões", argumenta.
Para chegar a esse montante, afirma Segatto, seria preciso desenvolver uma mentalidade francamente exportadora, envolvendo as pequenas empresas, ao contrário do atual modelo, que concentra boa parte das vendas externas nas mãos de 500 grandes empresas, responsáveis por 80% do volume de exportações brasileiras.

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