Exportadores investem em novas estratégias
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sábado, 14 de agosto de 1999
Por Denise Neumann 
São Paulo, 15 (AE) - A Perdigão encerrou o primeiro semestre com crescimento de 70,5% nas receitas obtidas com exportação; a Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST) embarcou um volume de placas 29,4% superior e a Indústrias Klabin, de papel e celulose, aumentou suas exportações em 15%.
Estas três companhias de capital aberto que operam no mercado externo estão festejando os resultados obtidos no primeiro semestre deste ano, apesar de acumularem resultados negativos por conta do impacto da mudança do câmbio sobre seus resultados.
Para terem o direito de comemorar agora, as três companhias não se acomodaram diante do benefício da desvalorização sobre suas vendas externas. Buscaram novos mercados, apostaram em produtos de maior valor agregado, melhorando seu mix de vendas, mantiveram investimentos e adotaram programas de redução de custos.
A CST e a Klabin encerraram o primeiro semestre com prejuízo por causa do impacto da mudança cambial sobre seus balanços. Na Klabin, o resultado negativo somou R$ 135 milhões; na CST, R$ 386 milhões no mesmo período. A Perdigão teve lucro líquido de R$ 10,5 milhões, 64,9% inferior ao mesmo período do ano passado.
"Se isolarmos o resultado da desvalorização, teríamos um resultado positivo de R$ 15 milhões", explica Josmar Verillo
diretor-geral da Klabin. A participação das exportações aumentou de 30% para 35% no volume vendido e de 23% para 30% no valor das receitas.
Verillo avalia que o resultado da empresa aumentou por três razões: mudança no foco estratégico de atuação, com ênfase em produtos de maior valor agregado, como cartões; programa de redução de custos que deve resultar em uma economia total de R$ 40 milhões ao longo de 1999 e ajuda da desvalorização.
Estratégias - A Perdigão encerrou o semestre com um lucro operacional (sem considerar os efeitos da desvalorização) de R$ 86,6 milhões, 134% maior que em 1998, diz o vice-presidente de Finanças e Relações com os Investidores, Wang Wei Chang.
Tanto no mercado externo como no interno, a empresa melhorou o mix de vendas, ampliando a participação dos produtos de maior valor agregado. No mercado interno, o faturamento cresceu 10% no primeiro semestre, puxado pelo aumento de produtos industrializados. As vendas de carnes in natura (frango inteiro e cortes de suínos) caíram porque a empresa aproveitou maior quantidade destes produtos para aumentar presença no mercado externo. No exterior, ampliou as vendas para mercados tradicionais e busca outros.
A Companhia Siderúrgica de Tubarão vende 95% de sua produção de placas de aço para o exterior. Apesar da queda do preço internacional do produto (cujo preço de venda da tonelada ficou US$ 100 mais barato na média deste primeiro semestre em relação ao mesmo período de 1998), a empresa encerrou o período com um crescimento de receita de 20,5%.
O resultado foi possível porque entrou em operação o segundo alto forno da siderúgica. O volume de exportações cresceu 29%, informa o diretor-comercial, Benjamin Baptista Filho. "A queda no preço internacional nos causou prejuízo de US$ 222 milhões no primeiro semestre", diz, calculando a diferença entre o volume vendido e o preço menor deste ano em relação a 1998. Baptista Filho diz que os preços estão melhorando no exterior e os negócios fechados para o fim do ano já apontam para uma recuperação de US$ 50 em relação ao preço médio da tonelada de placa de aço do primeiro semestre. O prejuízo de R$ 386 milhões foi mais "contábil", diz Baptista Filho, porque teve de ser considerado todo o impacto da desvalorização cambial. "Esse efeito foi nefasto nos nossos balanços, mas agora estamos limpos, sem essa situação negativa."


