Exportadores do Peru aliviados com segundo turno
Lima, 13 (AE) - "Sempre tive a confiança de que a sensatez prevaleceria e tenho a certeza de que o resultado anunciado pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe) foi o melhor para no país e para o próximo governante peruano", reagiu, em entrevista à AE, o presidente da Associação de Exportadores do Peru (Adex), Carlos Castro, ao pronunciamento de que o presidente Alberto Fujimori e o oposicionista Alejandro Toledo disputariam um segundo turno das eleições peruanas.
Ele informou que os empresários peruanos mantêm-se tranquilos durante o processo eleitoral. "Não há pânico nem precipitações", declarou.
A Bolsa de Lima oscilou pouco nos últimos dias, em que a tensão política deixou os peruanos de respiração presa. Fechou em ligeira baixa na quarta- feira e recuperou-se, também ligeiramente, hoje.
"Nunca tivemos planos de contigência, ante a ameaça de um isolamento internacional ou de represálias econômicas por questões políticas, até porque nem tivemos tempo para isso", declarou Castro.
"Numa economia globalizada, essas sanções são de tal magnitude que nem o Peru nem qualquer outro governo poderiam resistir a ela", explicou. "O que esperamos é que o próximo governo, seja ele qual for, propicie condições para que o país cresça nos níveis que precisa crescer."
Castro afirma que para os exportadores não faz diferença quem será o vencedor do segundo turno. "Seja quem for, ele deve adotar um modelode economia de mercado mais completo", analisou.
"O Peru adotou o livre mercado no começo dos anos 90, mas ainda não o fez em sua totalidade. Há empresas estatais para ser privatizadas, impostos e encargos trabalhistas a ser reduzidos."
"A economia informal aqui é uma das mais altas do mundo e absorve 57% dos trabalhadores", explicou Castro. "Esse nível de informalidade sobrecarrega as empresas formais, que arcam com todo o peso fiscal do país. Esse quadro tem feito com que não consigamos competitividade com a maioria dos países latino-americanos", ressaltou o presidente da associação de exportadores. "Esperamos que o próximo governo trabalhe nessa direção."
Castro afirmou que a ascenção da candidatura de Toledo foi tão rápida que não houve tempo para que os empresários traçassem um perfil mais detalhado sobre ele.
"Mas o senhor Toledo não é um candidato que assuste os investidores", diz. "Trata-se, se analisarmos mais detidamente
de um candidato de luxo. Está comprometido com o livre mercado, tem uma grande experiência como assessor do Banco Mundial e das Nações Unidas, tem bom trânsito nas instituições de crédito internacionais e um PhD em Stanford." (R.L.)





