por Milton F.da Rocha Filho
São Paulo, 29 (AE) - O Brasil no ano 2000 terá uma evolução muito grande em suas exportações, principalmente porque sua moeda reflete de fato uma realidade cambial. A avaliação é do consultor de empresas e ex-presidente do Banco de Tokyo no Brasil, Toshiro Kobayashi. Em entrevista por telefone à Agência Estado, ele disse que os produtos brasileiros já começam a aparecer com mais intensidade nos supermercados japoneses.
Kobayashi, mesmo vivendo em Tóquio, sempre acompanhou a economia brasileira e disse que chegou a ficar muito preocupado pelo início do ano de 1999, quando houve a desvalorização cambial e um ataque especulativo sobre moeda brasileira. "Ficamos preocupados mesmo. Sabiamos que o País teria poder de reação, mas não esperávamos que fôsse tão rápido. Nos surpreendeu", afirmou. Segundo ele, "todos sabem que uma reação nas exportações de um País que havia reduzido suas vendas externas não ocorre de um momento para o outro, mas agora já se sente que aqui no Japão está chegando o aço brasileiro".
O Japão é um dos maiores, senão o maior produtor de aço do mundo, mas compra agora aço do Brasil. "Chegam produtos de Tubarão e outras siderurgicas para cá. Não se compra somente o minério de ferro, mas agora já se importa o produto acabado, o aço", disse o executivo. Kobayashi lembra que outros produtos brasileiros também chegam ao Japão com maior frequência. "Já temos o suco de laranja, o palmito em lata, a cachaça, panelas de vidro do Brasil ou ainda o café, guaraná e outros produtos, sem falar em produtos agricolas, como frutas", disse.
Ele observa ainda que esta entrada de produtos brasileiros está se acelerando também porque a economia japonesa está em recuperação. "O ano de 2000 deverá ser de crescimento para nós japoneses. Isto é muito bom, pois com isso também aceleramos as importações, principalmente do Brasil, um parceiro tradicional da América Latina", afirmou.

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