Andradina (SP), 9 (AE) - Pela primeira vez no Plano Real
o faturamento dos frigoríficos com a venda da carne é menor que o custo com a arroba do boi gordo. A diferença pode ser considerada normal por um ou dois dias, mas chegou a duas semanas, com até 7% de defasagem. Segundo os especialistas, esta margem estaria provocando rombo financeiro na contabilidade das indústrias, não fossem as vendas para o mercado externo, que se aqueceram depois da desvalorização do real.
"As exportações de carne já estão garantindo equilíbrio nas contas do setor", diz o analista de mercado Hélio Micheloni
que trabalha na praça de Araçatuba e consulta diariamente dezenas de empresários. Os boletins informativos das bolsas do boi gordo indicam que o faturamento com a venda da carne no mercado interno é historicamente o menor que o setor industrial já enfrentou no País.
Enquanto o empresário paga R$ 32,50 pela arroba do boi, o faturamento com a venda da carne no atacado está atingindo apenas R$ 30,50 nos cálculos da Corretora Fortune de Araçatuba. Segundo Mecheloni, os frigoríficos que abastecem o mercado interno estão tentando lucro com a venda de miúdos, couro e outros subprodutos.
Para o analista, a sobrevivência deles dependerá de aumentos no preço da carne ao consumidor, fato cada vez mais próximo de acontecer. As limitações sanitárias que devem entrar em vigor no próximo dia 1º de julho no Mato Grosso do Sul para controle da aftosa registrada em Naviraí no início do ano, segundo os corretores, deverão provocar aumento do preço da arroba em São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
As escalas de compra pelos frigoríficos nunca ultrapassam mais de uma semana para entrega do rebanho. Com as barreiras sanitárias instaladas, o gado do Mato Grosso do Sul precisará ficar de quarentena aguardando liberação do exame sorológico para ser transportado. Na opinião dos corretores, isso inviabiliza as compras para abate e favorece apenas o transporte do gado de uma fazenda para outra. Ou seja, será beneficiado o fazendeiro que possuir propriedade nos dois estados.
Mas não há previsão de que a arroba do boi caia de preço no Mato Grosso do Sul. Essa semana ela ficou em R$ 31,50 com prazo de 20 a 30 dias para pagamento. Alguns frigoríficos de exportação, como o Bordon, chegaram pagar R$ 32,00 para boiadas próximas da indústria. As exportações são apontadas como principal responsável por esse valor e elas não serão prejudicadas quando estiver funcionando a barreira sanitária naquele estado, conforme declaração do próprio presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne, Antônio Russo.
O faturamento conseguido no exterior é diferenciado pela forma como o produto é entregue. Algumas unidades industriais vendem carne cozida, outras, apenas cortes especiais com embalagens personalizadas a pedido do cliente. Mecheloni disse que é impossível estimar as vantagens da exportação porque os preços são até cinco vezes maiores.
Em Andradina, o frigorífico McMouran, que reiniciou as atividades para exportação há pouco mais de um mês, já aumentou de 300 para até 900 o número de animais abatidos diariamente.

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