Exportações frustram governo, mas garantem crescimento
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 27 (AE) - As exportações não ajudaram a melhorar o saldo da balança comercial de 99 tanto quanto o governo esperava. Por outro lado, elas ajudaram a manter a economia em funcionamento, sendo uma das principais explicações para o crescimento estimado do Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de 0,5% no ano passado. "A balança comercial ficou realmente aquém do que esperávamos", admitiu hoje o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. "Por outro lado, em termos de quantidade, o resultado é extremamente positivo."
Se os preços em dólar dos produtos brasileiros não tivessem caído tanto ao longo do ano passado, o resultado da balança comercial teria sido superavitário. Segundo o secretário
se as exportações de 99 tivessem ocorrido com os mesmos preços de 98, o resultado da balança comercial teria sido um superávit de US$ 8,2 bilhões. Em comparação com o déficit de US$ 6,5 bilhões efetivamente registrado no ano passado, seria um ganho da ordem de US$ 15 bilhões.
Amadeo disse que o aumento nas quantidades exportadas ocorreu principalmente ao longo do útlimo trimestre de 99, quando a crescimento com relação a igual período de 98 foi de 21 3%. A quantidade de bens destinados ao mercado externo, em dezembro passado, foi a maior desde 96. A maior produção de bens para exportação, embora não tenha se refletido no saldo comercial, teve efeitos sobre a economia doméstica, segundo explicou o secretário. O setor químico, por exemplo, registrou crescimento médio de 8,3% em novembro-dezembro do ano passado, em comparação com o período setembro-outubro, enquanto o de celulose registrou expansão de 7,2% e o de embalagens, 3,8%.
"O efeito da desvalorização sobre a produção industrial foi mais forte do que esperávamos", comentou Amadeo. "O Brasil é uma economia grande e fechada, por isso um impulso da desvalorização sobre a atividade doméstica é difícil; mas aconteceu." Esse fenômeno, segundo o secretário, explica o crescimento estimado de 0,5% do PIB neste ano, ao lado da agricultura - esta, porém, não foi influenciada pela desvalorização.
Para este ano, Amadeo estima que as exportações crescerão cerca de 15%, enquanto as importações deverão ter uma expansão mais modesta, na casa dos 5%. Ele não acredita que a baixa na cotação do dólar registrada nos últimos dias tenha influência negativa sobre as exportações. "As decisões são tomadas levando-se em contra horizontes de mais longo prazo", disse.
A análise sobre a balança comercial consta do Boletim de Acompanhamento Macroeconômico, divulgado por Amadeo. Nele, os técnicos traçam um quadro otimista para a economia neste ano. "De acordo com a primeira prévia de Sondagem Industrial da Fundação Getúlio Vargas, a utilização de capacidade instalada pode alcançar 82% em janeiro, a melhor marca desde 1995, no auge do Real", diz o Boletim.
"Indicadores indiretos, a exemplo de embalagens, corroboram essa tendência, assim como a retomada do emprego." As incertezas, segundo a análise dos técnicos, vêm do exterior: o risco da elevação das taxas de juros nos Estados Unidos e a alta do petróleo. Amadeo disse que, ao longo do ano, é esperada queda na cotação do barril. Segundo o secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero, uma eventual elevação de 0 25 ponto percentual do juro americano já foi absorvida pelo mercado.
O texto admite, ainda, que alguns fatores atrasam a esperada queda no preço dos alimentos neste início de ano. O preço da carne bovina, por exemplo, estava em queda no final de dezembro passado, mas esta foi interrompida com a interrupção do fornecimento por regiões afetadas pela febre aftosa. Além disso, o excesso de chuvas também elevou o preço de hortifrutigranjeiros.


