Exportações dentro do Mercosul crescerão menos, adverte Botafogo
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quarta-feira, 18 de agosto de 1999
Por Adriana Fernandes 
Brasília, 18 (AE) - O países integrantes do Mercosul terão de direcionar suas exportações para mercados fora do bloco. A avaliação é do secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior (Camex), José Botafogo Gonçalves, que acredita que o fluxo comercial entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai tende a não crescer mais com a mesma velocidade verificada desde o início do Mercosul.
"Nos últimos anos, sobretudo a partir de 94, o crescimento dentro do Mercosul foi sensacional, mas não é razoável esperar que ele continue crescendo com essas mesmas taxas", disse Botafogo, durante entrevista coletiva sobre os números consolidados da balança comercial do mês de julho.
Segundo ele, os países do Mercosul, sobretudo Brasil e Argentina, têm agora que se voltar para outros mercados em vez de se apoiarem no comércio interno. O ministro comentou, também, o resultado do comércio brasileiro com a Argentina nos sete primeiros meses do ano, que foi deficitário em US$ 361 milhões.
Segundo Botafogo, há produtos na pauta das importações do Brasil originadas da Argentina que sempre são mantidos, mesmo que haja variações circunstanciais como a desvalorização. Esse é o caso das importações de trigo, petróleo e energia.
Outro exemplo, segundo ele, é o comércio de produtos no setor automobilístico, que representa 25% das vendas no Mercosul e que é administrado dentro do bloco com cotas. Na avaliação de Botafogo, as perdas de compettividade da Argentina em relação ao Brasil, no período pós-desvalorização, foram mais sentidas em "dois ou três setores", como os de calçados e têxteis.


