São Paulo, 13 (AE) - As exportações de papel surpreenderam a todos, e já no mês de junho tiveram um crescimento de 41,3% sobre igual mês de 99, colocando no exterior 125,8 mil toneladas. A produção nacional de papel também cresceu 3,8% no primeiro semestre deste ano na comparação com igual período de 98, revelou pesquisa da Associação Brasileira de Papel e Celulose (Bracelpa).
O presidente da Bracelpa, Boris Tabacof explicou que "na comparação de junho de 99 sobre junho do ano passado, a produção de papel cresceu 4,1%. Mas as exportações foram notáveis, com um crescimento de 41,3 sobre o mes de junho de 98. Foram exportadas 125.838 toneladas de papel". No acumulado de janeiro a junho, as exportações de papel chegaram a 671.671 toneladas, um aumento de 9,5% sobre período similar de 98.
Disse também que "a produção de celulose também terminou o primeiro semestre com um resultado positivo. Fechou o mês de junho com um volume de 594 mil toneladas, ou seja um acréscimo de 4,5% sobre igual período do ano passado. Nos primeiros seis meses do ano foram produzidas 3.521 toneladas de celulose, um aumento de 5,2% sobre os resultados de igual período de 99".
Celulose - Um estudo da área industrial do BNDES conclui que com a recuperação dos preços internacionais da celulose, há boas perspectivas de exportações do produto agora no segundo semestre e para o ano 2000. A reação já está ocorrendo com o preço da tonelada de celulose chegando a US$ 530 e deverá ter um novo ajuste no último trimestre do ano que poderá ser de US$ 30 a US$ 80 por tonelada, explicou Tabacof.
Ele entende que o estudo do BNDES é positivo e correto, e que no último trimestre no hemisfério norte, haverá uma redução na produção, no que os produtores nacionais podem encontrar espaço para ampliar suas vendas. Essas melhorias nas vendas, segundo o BNDES também fundamentam-se, principalmente, na diminuição do ritmo de novos projetos ocorrido em todo o mundo, na melhoria das condições econômicas em alguns países asiáticos e na continuada firmeza da economia americana.
O estudo do BNDES, elaborado pelo gerente setorial de papel e celulose Antonio Carlos de Valença e o engenheiro René Luiz Grion Mattos, salienta que a possibilidade da China e demais países do leste asiático prosseguirem em recuperação econômica são sinais positivos para os exportadores americanos de aparas para reciclagem e para os exportadores de fibras virgens.
"A instalação de grandes máquinas de papel na China e a integração de máquinas na Indonésia permitirá a expansão do mercado para as fibras de fornecedores norte-americanos (EUA e Canadá), chilenos e brasileiros", salienta uma conclusão da análise dos técnicos do BNDES.
O estudo do BNDES mostrou que "o segmento fabricante de celulose tem se mostrado, ao longo dos anos, um tradicional gerador de divisas para o país. No caso das fibras, foram constituídas empresas produtoras de celulose de eucalipto que destinam a maior parte da sua produção para o mercado externo.
As importações, em sua maioria de fibra longa, são pouco expressivas, o que leva à geração de importantes superávites na balança comercial - US$ 873 milhões, em 1998.
Diz também que no caso dos papéis, as empresas aqui instaladas têm como prioridade o atendimento do mercado interno, ocasionando desta forma uma flutuação no volume dos excedentes exportáveis. Predominam as exportações de papel de imprimir e escrever e papel de embalagem (kraftliner).

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