Exportações de ônibus e caminhões ao Chile podem perder preferências
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Por Vladimir Goitia Enviado especial 
Santiago, 05 (AE) - As preferências tarifárias que os caminhões e ônibus brasilileiros têm para entrar ao mercado chileno correm o risco de não ser renovadas entre os governos do Brasil e Chile devido à ausência de um regime comum automotivo no Mercosul.
Dos US$ 1,2 bilhão de exportações brasileiras ao Chile, entre 30% e 40% se referem a esses itens, que contam com um regime de preferência de 75% sobre a alíquota de importação chilena, de 10%. Ou seja, os caminhões e ônibus brasileiros entram ao mercado chileno pagando apenas uma alíquota de 2,5%. Sem esse acordo, que termina em outubro do próximo ano, caminhões e ônibus brasileiros terão de pagar a alíquota única de importação, que deve cair para 9% no ano 2000.
De acordo com o responsável de assuntos econômicos da embaixada brasileira em Santiago, Rodrigo do Amaral Souza, o assunto deve ser discutido nesta sexta-feira entre os representantes dos dois países. "Em grande parte, esse regime de preferências depende do regime automotivo do Mercosul", disse Souza.
Ocorre que o regime comum para o setor automotivo da região encontra-se emperrado e até agora os dois principais interessados (Brasil e Argentina) sequer chegaram a um acordo sobre a agenda de discussões desse tema. O governo brasileiro já disse que o atual regime automotivo do País, baseado no regime argentino, termina em dezembro deste ano e não será renovado. A Argentina, por sua vez, quer prorrogar o seu regime até o ano 2003.
Com o Chile, o governo brasileiro quer, além de renovar o regime de preferências, ampliar também a quota específica de suas exportações de ônibus e caminhões. "A absorção do mercado chileno é maior do que a quota que temos", afirmou Souza.
Para isso, entretanto, o Brasil também terá de fazer algumas concessões. Os chilenos querem ampliar a sua pauta de exportações ao Brasil, principalmente de produtos com maior valor agregado. Como não sócio-pleno do Mercosul, o Chile tem enfrentado consecutivos déficts comerciais com esse bloco econômico. No primeiro trimestre deste ano, por exemplo, as vendas chilenas aos membros do Mercosul somaram US$ 305 milhões, com fortes quedas em relação ao mesmo periodo do ano passado. As exportações para o mercado brasileiro, por exemplo, caíram 33%, para US$ 127 milhões.


