São Paulo, 14 (AE) - As exportações brasileiras de carne de frango no primeiro trimestre deste ano somaram 154.772 toneladas, 7,34% a mais que as 144.186 toneladas do mesmo período de 98, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frangos. A receita com as exportações no período também cresceu, passando de US$ 166,3 milhões para US$ 188,2 milhões, um aumento de 13,17%.
Em comunicado divulgado pela Abef, o diretor-executivo Cláudio Martins afirma que as exportações no trimestre apresentaram excelente performance, "na contramão do desempenho do comércio exterior brasileiro". O preço médio de exportação no período cresceu 5,4%, segundo a Abef, para US$ 1.216,00 por tonelada. Segundo Cláudio Martins, o aumento foi possível porque os associados foram "orientados a não se deixar influenciar pelas pressões para redução de preços após a mudança da política cambial". Depois da desvalorização, os importadores começaram a pressionar para a redução dos preços do frango em dólar.
Para Martins, apesar do cenário positivo para o setor no primeiro trimestre, o Brasil enfrenta cada vez mais dificuldades no mercado internacional por causa das políticas de subsídios e protecionismo dos países concorrentes, inclusive no Mercosul. Segundo ele, a decisão do governo de voltar a taxar as exportações com o PIS/Cofins agrava essas dificuldades.
As exportações de frango inteiro, porém, recuaram 1,98% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 98, de acordo com o relatório da Abef, totalizando 87.470 toneladas. A Abef considera o desempenho neste segmento "equilibrado" e afirma que ele decorre do aumento das vendas para Cuba, países do Oriente Médio e também para Hong Kong e Japão, tradicionais compradores de cortes de frango. No primeiro trimestre do ano, as vendas de frango inteiro para os dois países cresceram 86% e 28%, respectivamente.
Já as exportações de frango inteiro para a Argentina declinaram 15% no primeiro trimestre, passando de 10.340 t para 8.747 t. De acordo com a Abef, desde a desvalorização do real a Argentina vem implementando "medidas protecionistas de cunho comercial e fitossanitárias, visando dificultar a presença do frango brasileiro naquele mercado". A Abef defende que o governo adote, caso necessário, medidas de reciprocidade em relação à Argentina.
O melhor desempenho das exportações no primeiro trimestre se deu no segmento de cortes de frango, conforme o relatório. As vendas somaram, no período, 67.301 t contra 54.952 t no primeiro trimestre de 98, um aumento de 22,47%.
De acordo com Abef, o crescimento se deveu principalmente às maiores vendas para União Européia (alta de 12 61%). Na UE, o destaque fica para Grécia e Reino Unido, que dobraram as importações, e Países Baixos, com crescimento de 63%
segundo a associação dos exportadores. As vendas de cortes para a ásia cresceram 23,3% no período, passando para 40.569 t, "em função da performance de Cingapura, cujas importações cresceram 69%, de Hong Kong, com 28% e do Japão, com 10%".

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