São Paulo, 26 (AE) - Carros brasileiros voltarão a rodar nos Estados Unidos após sete anos fora do maior mercado mundial de veículos. A Volkswagen, que em 1993 enviou a última remessa do modelo Fox (Voyage) para o mercado norte-americano, retoma neste semestre as exportações para Canadá e EUA com o Golf, que começou a ser produzido no Paraná no ano passado.
Com a reconquista desses importantes clientes, a Volks prevê aumentar em 50% suas exportações neste ano. O mercado externo também está sendo responsável pelo aumento da produção em outras empresas do setor.
A Fiat suspendeu as férias coletivas que começariam nesta semana por causa de um aumento dos pedidos da Itália. A General Motors anunciou a ampliação da carga semanal de trabalho de 40 para 44 horas na fábrica do ABC, em parte por causa da reação do mercado externo. As montadoras, juntas, pretendem exportar 15% mais neste ano, mas não repetirão o resultado de 1998, o melhor para o setor em vendas externas.
Somando as vendas dos fabricantes de autopeças, o setor automobilístico deverá exportar US$ 8,12 bilhões. As autopeças tiveram desempenho 11,7% menor em relação ao ano anterior e vão tentar colocar US$ 4,12 bilhões de produtos brasileiros lá fora.
Acordos - A recuperação econômica dos principais clientes na América Latina, os acordos bilaterais e um impacto mais significativo da mudança cambial são os principais fatores que justificam previsões mais otimistas de empresas e consultores.
"O ano passado foi frustrante porque a maioria dos países latinos teve desempenho econômico negativo", disse Roberto Gianetti da Fonseca, presidente da Câmara de Comércio Exterior (Camex) e da trading Silex. Para ele, o acordo bilateral com o México, que deve ser concluído nos próximos meses, poderá quadruplicar os negócios com aquele país. A proposta em discussão entre governos e fabricantes é isentar as transações do imposto de importação, que é de 35% no Brasil e de 20% no México.
Por causa desse acordo, uma das maiores tradings que opera no setor automobilístico, a Silex, espera triplicar seu faturamento, hoje na faixa de US$ 50 milhões. A empresa já ganhou neste ano duas concorrências para fornecer produtos para países da América Latina. Na disputa estavam China, Coréia e Espanha.
O economista da Tendências Consultorias Integradas, Roberto Padovani, lembrou que o principal parceiro do Brasil é a Argentina, que passou por forte recessão. As vendas para o país vizinho chegaram a cair 80%, caso, por exemplo, da General Motors, que em 1998 colocou 23.514 veículos com sua marca no mercado argentino e, no ano passado, apenas 5.250.
"Neste ano a renda local deverá crescer e a Argentina aumentará sua demanda por manufaturados", afirmou Padovani. O Brasil também conseguirá maiores vantagens com a desvalorização cambial, que deixou o produto brasileiro mais barato. Na avaliação de Rogério Aun, da Arthur Andersen, "não houve tempo para acertar novos negócios, o que deve ocorrer agora".
A desvalorização foi um fator importante nas negociações da Volks com os EUA para a venda do Golf. O modelo, que teve sua produção interrompida no México para dar lugar ao novo fusca, é igual ao alemão, que hoje vai para o mercado americano. Inicialmente serão enviadas 15 mil unidades, mas a expectativa é de aumento gradativo. Entre 1987 e 1993, a Volks exportou 220 mil Fox para os EUA. Problemas econômicos fizeram com que a matriz da montadora não aprovasse investimentos para a modernização do modelo, que saiu de linha.