São Paulo, 29 (AE) - O volume das exportações da América Latina e do Caribe no ano passado teve um incremento de quase 8%
mas o impacto positivo desse aumento foi apenas parcial por causa da queda dos preços internacionais. Pela primeira vez em 12 anos, o valor das exportações regionais caiu em relação ao do ano anterior e o valor das importações -- apesar da retração do preço dos produtos manufaturados e do petróleo -- cresceu a taxas mais elevadas do que as vendas externas da região, aumentando os déficit comercial e em conta corrente dos países latino-americanos.
De acordo com a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o fraco desempenho das exportações latino-americanas reflte o atual contexto internacional desfavorável, iniciado em meados de 1997, quando a crise financeira asiática se intensificou, afetando a América Latina e o Caribe em três frentes: cortes radicais nos fluxos de capital de curto prazo e elevação dos custos do financiamento externo; forte queda dos preços dos produtos básicos e desaceleração do crescimento do comércio mundial.
No relatório "Panorama de Inserção Internacional da América Latina e o Caribe", a Cepal informa que, entre o final de 1997 e novembro do ano passado, o índice agregado de preços dos produtos básicos (excluído o petróleo) declinou 13%, taxa média que "esconde" as grandes variações (entre 3% e 41%) dos produtos. Nesse período, por exemplo, o preço do petróleo despencou mais de 38%, tendo apresentado uma ligeira recuperação na última quinzena deste mês.
Segundo estimativas da Organização Mundial do Comércio (OMC), o volume de comércio mundial no ano passado pode ter crescido mais de 4%, taxa superior à expansão do PIB mundial, que não deve passar de 2%. Mesmo assim, esse crescimento ficará abaixo da média dos últimos quatro anos. Embora a OMC ainda não tenha fechado os resultados oficiais de comércio de bens e serviços no mundo do ano passado, o valor do comércio expressado em dólares deve experimentar, pela primeira vez desde 1993, uma redução devido à forte queda dos preços médios.
"A espetacular retração das economias da ásia oriental, até então em rápido crescimento, impactou com muita violência nos vários mercados de bens e servicos, devido ao grau de de integração dessas economias no comércio mundial", afirma a Cepal na edição 1998 da Panorama de Inserção Internacional da América Latina.
Nos últimos anos, a maior parte das regiões econômias do planeta experimentou um aumento de suas exportações para a ásia, que havia se transformado na "locomotiva" da economia mundial devido à considerável demanda de importações financiadas, em parte, por entradas de capital privado.
Mas, diz a Cepal no relatório, "o processo de modernização das políticas comerciais que se instaurou nos países da América Latina e o Caribe a partir de meados da década de 80 não conseguiu, até agora, mudar substancialmente a especialização exportadora da região. "A maior parte das economias latino-americanas depende de poucos produtos, de poucos mercados ou de ambos os dois para o ingresso de suas exportações", afirma a Cepal.
Com exceção do México, o restante dos países da região mantém as suas exportações concentradas em produtos básicos, enquanto as economias mais avançadas divesificaram as suas vendas externas mediante a elaboração de bens industrializados complexos, embora derivados dos mesmos produtos básicos, acrescenta a Cepal. Mas a forte queda dos preços dos produtos básicos no mercado internacional, associada ao problema da superoferta e dà retração da demanda, demonstrou a "vulnerabilidade latino-americana", alerta a organização. Para a Cepal, só o Brasil e a Argentina conseguiram diversificar as suas exportações, mas ainda com base a recursos naturais, enquanto o México e o Uruguai têm as suas vendas externas diversificadas, porém, concentradas em poucos mercados. "O México nos EUA e o Uruguai nos países do Mercosul."
No outro extremo se encontram o Chile, Colômbia e o Peru, que têm concentração de produtos mas uma diversificação ampla de mercados. Finalmente, países como a Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela continuam a mostrar elevada vulnerabilidade comercial dada a concentração de suas exportações em poucos produtos e em poucos mercados de destino.

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