Exportação do setor deve crescer 50% este ano
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domingo, 13 de fevereiro de 2000
por Renata de Freitas 
São Paulo, 14 (AE) - A substituição de importações de equipamentos de telecomunicações pela produção local mudou o rumo da balança comercial do setor. Nos últimos três anos, as exportações cresceram 95,23% e as importações ficaram 42,26% menores. Isso definiu uma tendência de redução do déficit da balança comercial de telecomunicações. Nesse triênio, o déficit caiu pela metade (55,3%). O faturamento aumentou quase 32% no período.
Para o ano 2000, as expectativas são de faturamento 33% maior e aumento de 50% nas exportações. Mas com a explosão da Internet, é difícil projetar como ficarão as importações por causa da demanda de componentes para redes digitalizadas.
"Uma família de produtos que vai crescer barbaramente este ano é a da Internet", prognosticou o diretor da área de telecomunicações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Roberto Isnard. No último bimestre de 1999, os componentes para telecomunicações
particularmente circuitos integrados específicos, impulsionaram as importações junto com os semicondutores. No geral, as importações de telecomunicações caíram 33% no ano passado.
As operadoras de telecomunicações, por exemplo, já estão se preparando para trocar as centrais de comutação de circuito (CCCs) por centrais de comutação de pacotes, adotando o protocolo Internet. Segundo o presidente do Conselho da Ericsson
Carlos Paiva Lopes, a substituição vai acontecer até o final do ano ou início de 2001.
"Está sendo feito um planejamento mais cuidadoso da rede", disse Paiva Lopes. "Todas as empresas estão pensando nisso, mas ainda não estão fazendo", acrescentou. Em 2002, a abertura do mercado de telecomunicações será plena, com as operadoras atuando em todos os segmentos. "O ciclo bom da Internet começou realmente agora e cria a necessidade de circuitos para fluir uma quantidade enorme de dados", declarou Paiva Lopes. "As empresas têm que se preparar para o crescimento do business-to-business", disse. Ele confirmou que as importações de componentes devem crescer.
Um desafio para o estabelecimento de uma indústria local de componentes, segundo Isnard, é o custo da atualização tecnológica nesse segmento. O mercado nacional ainda não tem também escala que possibilite preços competitivos, ao contrário do que já acontece com equipamentos de telefonia sem fio, exportados para a América do Sul, áfrica e até Europa.
Os principais produtos de telecomunicações da pauta de exportações brasileira são os aparelhos celulares e as estações rádio-base (ERBs). As exportações de celulares cresceram 69% no ano passado. "Apesar do Custo Brasil, o preço é competitivo", justificou Isnard. Centrais públicas também vêm sendo exportadas para o Uruguai e Paraguai, que construíram boa parte da rede de telefonia fixa com os equipamentos produzidos no Brasil.


