São Paulo, 19 (AE) - Analistas, produtores e exportadores de produtos agropecuários e o Ministério da Agricultura prevêem um aumento das exportações de soja e das carnes de frango e bovina este ano. A expectativa do ministério é a de que novamente a produção agropecuária deverá ter um peso significativo na balança comercial brasileira em 2000, devendo proporcionar um saldo superior a US$ 13 bilhões, de acordo com Benedito Rosa do Espírito Santo, secretário de Política Agrícola do ministério. De acordo com analistas, o saldo do setor em 1999 foi de US$ 13,4 bilhões.
A soja brasileira, estimulada por uma pequena recuperação das cotações internacionais, deverá apresentar uma receita de exportação pouco superior à de 1999, segundo a Associação Brasileira da Indústria de àleos Vegetais (Abiove). O setor deve faturar com o complexo soja US$ 3,85 bilhões, 3,2% mais que em 1999, embora espere reduzir em 681 mil toneladas o volume exportado, para 20,1 milhões de toneladas.
"Deverá ocorrer uma queda na produção de 32,6 milhões de toneladas para 31,2 milhões, que se refletirá nas exportações", prevê André Meloni Nassar, pesquisador da Fipe Agrícola. Ele acrescenta que o Brasil está bastante competitivo, graças à desvalorização cambial.
A Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef) espera consolidar, nesse ano, as posições conquistadas em 1999 quando registrou um salto de 25% no volume e de 18% no faturamento exportado. Segundo o diretor-executivo da Abef, Cláudio Martins, as vendas deverão crescer 15%, atingindo 850 mil toneladas e uma receita de US$ 1 bilhão em 2000. Em 1999, o frango brasileiro inaugurou 27 novos mercados.
Victor Abou Nehmi Filho, da FNP Consultoria, prevê crescimento de 7% na receita a ser obtida com as exportações de carne bovina neste ano, para US$ 730 milhões, com um aumento de 10% do volume exportado, de 500 mil toneladas em 1999 para 550 mil neste ano. Segundo ele, o desempenho poderia ser melhor, se o Ministério da Agricultura não tivesse proibido, na virada do ano, a entrada no Estado de São Paulo, onde se concentram os frigoríficos exportadores, de gado e de carne bovina proveniente do Mato Grosso do Sul, onde foi detectado um foco de febre aftosa.
Segundo fontes da indústria do açúcar, as exportações da commodity deverão cair significativamente em 2000. Em 1999, as exportações atingiram 12,12 milhões de toneladas, com uma receita de US$ 1,9 bilhão. O preço médio no mercado internacional foi de US$ 157,5 por toneladas em 1999, ante os US$ 231,81 de 1998. Neste ano os usineiros estão deparando-se com preços do açúcar no mercado interno de US$ 19,04 a saca, ante os US$ 11,33 de janeiro do ano passado.

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