São Paulo, 03 (AE) - Um amplo estudo sobre o setor de alimentação no País mostrou que as exportações de carne de frango no primeiro semestre cresceram 21% em relação ao mesmo período do ano passado. A estimativa da Associação Brasileira de Exportadores de Frango (Abef) é de um crescimento médio de 20% nas exportações nesse ano, alcançando uma receita total de US$ 900 milhões. O estudo foi desenvolvido pela analista do Banco Boavista, Mônica Araujo, ao explicar que as duas principais processadoras de carnes no Brasil - Sadia e Perdigão - apresentam 53% de participação conjunta no mercado de produtos industrializados e de 85% no de congelados.
Diz o estudo de Mônica Araujo que "o Brasil produziu em 1998 um volume total de 12,8 milhões de toneladas de carne de frango, o que lhe conferiu uma participação de 7,2% da produção mundial e a manutenção do título de segundo maior exportador de carne de frango do mundo".
Entre os principais segmentos do setor de carnes, a analista do Boavista destacou: bovinos (com produção de 6,4 milhões de toneladas), aves (4,5 milhões de toneladas) e suínos (1,9 milhão de tonelada). O Brasil possui algumas vantagens competitivas que lhe dão posição privilegiada na comercialização de carne no mercado internacional, especialmente de aves e de suínos. Entre as principais vantagens apontou: a disponibilidade de grãos proporcionada pela safra nacional, o clima e o solo que favorecem o desenvolvimento das culturas de soja e milho e ainda a mão-de-obra barata. Com isso, o Brasil consegue exportar carne (frango e suíno) para mais de 40 países.
Mas, segundo Mônica Araujo, não foram apenas as vantagens competitivas que impulsionaram a indústria brasileira processadora de carnes. O desenvolvimento de uma melhor conversão alimentar, o investimento no sistema de distribuição, o aumento do consumo per capita de carne e ainda o aumento da competição levaram a uma evolução significativa da produção brasileira.
Salienta ainda que o consumo per capita de carne no Brasil, após a mudança de patamar impulsionada pelo Plano Real, vem mantendo um crescimento tímido nos últimos anos. Em 1998 o consumo per capita de carnes atingiu 73,4 Kg/ano, uma queda de 1 5% quando comparado com o consumo de 1997. Segundo o estudo, não houve mudança no hábito alimentar, ficando a carne bovina com 51 8% do consumo total, a carne de aves com 32,7% e a de suínos com 15,5%.
O aumento do nível de desemprego, a estagnação no nível de renda e a queda nos preços foram os principais motivos para o crescimento recente do consumo de carnes no Brasil. "Apesar desse contexto, vale mencionar que ainda temos um potencial de crescimento do consumo, quando comparamos o consumo brasileiro com o de outros países", diz.
O estudo mostrou que as exportações de carnes, especialmente as de aves e de suínos, tiveram desempenho diferenciado em 1998. Enquanto as exportações de aves, que atingiram 612,5 mil toneladas, apresentaram queda de 5,6% sobre o volume do ano anterior, as exportações de suínos cresceram 24,8% e atingiram 12,5 mil toneladas.
"Mesmo considerando as vantagens competitivas do Brasil na exportação de carne de frango, as crises asiática e russa prejudicaram as vendas em 1998." Somente na ásia, um mercado que absorve 27% das exportações brasileiras nesse segmento, as vendas de frango (inteiros e em cortes) totalizaram 166,7 mil toneladas, ficando 10,7% abaixo da de 1997.
Quanto ao primeiro semestre de 1999, "a exportação de carne de frango atingiu 350,2 mil toneladas, gerando uma receita de US$ 421,1 milhões e representando um crescimento de 21% no volume e de 24% nos valores financeiros, quando comparados a igual período do ano passado. O preço médio do período atingiu US$ 1,203/tonelada, indicando um crescimento de 2,4% sobre o de 1998. "Contribuiu para essa melhoria no preço médio o aumento dos embarques de frango em cortes, que possui um preço médio 28% superior ao preço do frango inteiro."
Sobre as exportações de suíno, Mônica Araujo informou que "no acumulado dos primeiros seis meses de 1999, o Brasil exportou 37,4 mil toneladas, uma evolução negativa de 8% em comparação a igual período do ano anterior". O mercado que mais impactou essa performance foi o argentino, que recebe 44% das exportações brasileiras e que no período reduziu as compras em 18,6%. Para tentar compensar as dificuldades enfrentadas na Argentina, as empresas do setor buscam a conquista de novos mercados.
O segmento de carnes que vem apresentando crescimento significativo é o de produtos processados e industrializados de aves e suínos, com taxas médias anuais de 14%, registrados nos últimos 7 anos. Em função do aumento no consumo e principalmente pelo maior valor agregado desses produtos, as empresas brasileiras estão cada vez mais direcionando parcela significativa de suas vendas na conquista desse mercado, explicou.
Um fato recente porém, alertou Mônica Araujo, pode prejudicar o desempenho do setor no 3ºtrimestre/99: "A greve dos caminhoneiros, iniciada no final do mês de julho, e já encerrada, dificultou a circulação de matéria-prima e de produtos acabados entre os frigoríficos e as centrais de distribuição. Algumas empresas do setor chegaram a anunciar a paralisação de algumas fábricas. Ainda não se tem condições de avaliar os efeitos diretos desse fato no resultado final das empresas, mas certamente eles serão sentidos não somente com uma redução nas vendas (mercado interno e externo), mas também com um possível aumento de custos caso seja implementado um aumento no valor do frete." Para ela, porém, em uma avaliação de longo prazo esses efeitos não são representativos.
Segundo Mônica Araujo, "a expectativa para 1999 é de um aumento de 1% no consumo nacional de carnes, sendo que no de carnes de aves e de suínos estima-se uma evolução superior a 3 5%. Essa performance é função, basicamente, dos baixos preços das carnes de aves, que impulsionam a substituição do consumo de carne bovina por carne de aves".
De acordo com o estudo, as principais associações do setor projetam para 1999 uma produção brasileira de carnes de 13,5 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 5,5% sobre a produção de 1998. Nas exportações é esperado um crescimento de 20,0% para o segmento avícola e 22% para o segmento de suinocultura.

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